Ação contra governador de MS patina no STJ (Foto: Arquivo)

O “sumiço misterioso” do ministro Felix Fischer, relator da Operação Vostok, fez a Corte Especial do STJ (Superior Tribunal de Justiça) adiar pela 4ª vez o julgamento do recurso do Ministério Público Federal contra desmembrar a denúncia contra Reinaldo Azambuja (PSDB). A subprocurador-geral da República, Lindora Araújo, quer manter, pelo menos, a ação penal contra o núcleo da organização criminosa em Brasília.

No entanto, o pedido já foi pautado quatro vezes desde o desmembramento determinado por Fischer. O ministro decidiu que apenas o governador de Mato Grosso do Sul vai ser julgado pela corte pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e chefiar organização criminosa.

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O restante dos denunciados por integrar o esquema que levou a JBS a pagar R$ 67,791 milhões em propinas será julgado pela Justiça estadual. Isso inclui o filho de Reinaldo, o advogado Rodrigo Souza e Silva, o primeiro secretário da Assembleia Legislativa, Zé Teixeira (DEM), o conselheiro do Tribunal de Contas, Márcio Monteiro, o prefeito de Porto Murtinho, Nelson Cintra (PSDB), os poderosos empresários Antônio Celso Cortez e João Roberto Baird, o Bill Gates Pantaneiro, entre outros.

Além do pedido para manter todos os acusados no STJ, a Corte Especial analisaria o pedido para suspender o bloqueio de R$ 277 milhões do governador e sua família, inclusive a esposa e os três filhos. A família Azambuja está com os bens bloqueados desde setembro de 2018.

No entanto, o julgamento vem sendo adiado em decorrência da ausência do relator. No entanto, o motivo do sumiço do ministro Felix Fischer é um mistério. O Jacaré questionou a assessoria do STJ, mas não houve retorno sobre o motivo da ausência do ministro às sessões da Corte Especial.

Desde 2019, ele já se afastou por motivos de saúde e pediu licença em duas ocasiões. Ele acabou sendo substituído pelo ministro Paulo de Tarso Sanseverino. Desta vez, não há informação sobre o motivo do afastamento de Fischer.

Os recursos foram incluídos na pauta desta quarta-feira, quando o STJ fez um esforço concentrado para tirar o atraso da pauta. Os ministros começaram a sessão às 8h da manhã e foram até o início da noite de hoje, mas sem analisar os recursos envolvendo Reinaldo.