Tereza Cristina, uma das mais prestigiadas ministras de Bolsonaro, deve prestar depoimento como testemunha de defesa de André no dia 16 de junho (Foto: Arquivo)

O primeiro julgamento do ex-governador André Puccinelli (MDB) por corrupção na Operação Lama Asfáltica deve começar no dia 10 de junho deste ano. O emedebista contará com testemunhas de defesa de peso, como a ministra da Agricultura e Pecuária, Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias, o vice-governador Murilo Zauith (DEM), o senador Nelsinho Trad (PSD) e o ex-presidente da Assembleia Legislativa, Junior Mochi (MDB).

Esta será a segunda vez que o juiz Bruno Cezar da Cunha Teixeira, da 3ª Vara Federal, tenta colocar o poderosíssimo político no banco dos réus. A primeira tentativa ocorreu em abril de 2019. No entanto, na véspera do depoimento dos delatores da JBS, os irmãos Joesley e Wesley Batista, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região suspendeu o julgamento e acabou enviando a denúncia de pagamento de R$ 25 milhões em propina ao emedebista para a Justiça estadual.

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Agora, André e o ex-secretário estadual de Obras, Edson Giroto, já condenado duas vezes, vão a julgamento pelo uso do avião, conhecido como “Cheia de Charme”, dos empresários João Amorim e João Roberto Baird, o Bill Gates Pantaneiro. O suposto crime seria o artigo 317 do Código Penal, receber vantagem indevida e cuja pena pode variar entre dois e 12 anos de prisão em regime fechado.

Esta denúncia foi desmembrada da primeira ação penal protocolada contra o emedebista no final de 2017. A audiência de instrução e julgamento vai começar pelas testemunhas de acusação, arroladas pelo Ministério Público Federal, no dia 10 de junho deste ano, a partir das 14h. O MPF convocou o servidor da Agesul, Mauro de Figueiredo, e os pilotos Gerson Mauro Martins, Ronaldo Aparecido Ramos de Oliveira e Marcos Coelho Reindel.

Puccinelli decidiu apostar nos aliados em alta na política, como Tereza Cristina, a mais popular e influente ministra de Jair Bolsonaro, que deverá prestar depoimento a partir das 14h do dia 16 de junho. Também serão ouvidos o vice-governador do Estado, Junior Mochi, a secretária do emedebista, Mara Regina Bertagnolli de Gonçalves, Luiz Fernando dos Santos e Alfredo Luiz Martins. O senador Nelsinho Trad tem a prerrogativa de marcar o dia e horário para prestar depoimento.

Já as testemunhas de Giroto serão ouvidas em dois dias, 17 e 18 de junho. Entre as 10 testemunhas arroladas pelo ex-deputado, estão o ex-presidente da Agesul, Wilson Cabral Tavares, Ricardo Oliveira, José Luiz Silva, Marcos Sérgio Sobral, Maxwell Thomé Gomes, entre outros.

O segundo julgamento do ex-governador pode ser na ação em que é acusado de chefiar organização criminosa ao lado de Giroto e Amorim. Este processo, que não está em sigilo, só falta a apresentação da defesa de Marcos Enciso Puga e a manifestação do MPF para o juiz decidir se marca a audiência de instrução ou determina o arquivamento da denúncia.

Por enquanto, o único condenado na Lama Asfáltica foi Giroto. Ele foi sentenciado pela ocultação de dinheiro na compra das fazendas Maravilha e Encantado do Rio Verde. Esta segunda já teve até julgamento em segunda instância.