Para justificar doação, local teria sala de aula, creche e quadra de esportes, mas só foi construída a igreja (Foto: Arquivo)

Quase sete anos depois da ação de improbidade administrativa ser protocolada na Justiça, o senador Nelsinho Trad (PSD) vai a julgamento por doar área do município de Campo Grande para a construção da igreja do ex-vereador e ex-prefeito Gilmar Olarte (sem partido). A audiência de instrução foi marcada para o dia 11 de maio deste ano pelo juiz Ariovaldo Nantes Corrêa, da 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos.

O ex-prefeito também será julgado pela doação de imóvel para a construção da Loja Maçônica “Colunas da Lei nº 55”. Contudo, conforme os autos do processo, o outro réu na ação, Edson Macari, devolveu o terreno há dois anos. A maçonaria entregou à prefeitura a área com campo de futebol, casa de 50 metros quadrados, depósito de 18 m² e galpão com 136m². Todo o imóvel está murado.

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As doações ocorreram em 2005, quando Olarte ainda era vereador e pediu o terreno do município para construir a igreja evangélica Assembleia de Deus Nova Aliança, no Conjunto Coophamat, na saída para Sidrolândia.

Para justificar a doação sem encargos ou cobrar qualquer valor pelo imóvel, Nelsinho alegou que a igreja construiria creche, salas de aula e quadra de esportes para serem utilizadas pela comunidade. No entanto, vistoria do Ministério Público Estadual e da Semadur (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano) constatou que a única construção no terreno é a sede da igreja.

A denúncia foi feita em abril de 2014. No entanto, recursos acabaram postergando o julgamento da ação de improbidade. Edson Macari conseguiu ser excluído da denúncia pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. O MPE recorreu e o dirigente da loja maçônica voltou a ser réu.

Na audiência de instrução e julgamento, o MPE pediu o interrogatório dos réus: Nelsinho, Olarte e Macari. O senador indicou duas testemunhas de defesa, o ex-secretário municipal de Meio Ambiente, Marcos Cristaldo, e o servidor Rui Nunes da Silva Júnior. Olarte não indicou testemunhas, enquanto Edson Macari indicou três.

Loja Maçônica devolveu à prefeitura terreno doado por Nelsinho (Foto: Reprodução)