Simone e Nelsinho não conseguiram a presidência de nenhuma comissão no Senado (Foto: Arquivo)

A bancada federal de Mato Grosso do Sul não repetiu a boa performance no primeiro biênio em Brasília ao perder o protagonismo, cargos importantes e espaços na Câmara dos Deputados e no Senado. Até no primeiro escalão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), os políticos sul-mato-grossenses perderam espaço com a ascensão o Centrão e dos militares.

No Senado, os três senadores ocuparam cargos estratégicos e tiveram estreia retumbante em Brasília. O senador Nelsinho Trad (PSD) foi presidente da Comissão de Relações Exteriores. Soraya Thronicke (PSL) assumiu a presidência da Comissão de Agricultura e Pecuária, enquanto Simone Tebet (MDB) comandou a Comissão de Constituição e Justiça.

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Na esperança de virar ministro de Bolsonaro, Nelsinho encolheu politicamente no Senado e só acabou indicado como titular da Comissão de Relações Exteriores. Nas comissões de Assuntos Econômicas e Assistência Social, o ex-prefeito de Campo Grande só conseguiu ser suplente.

Simone também colhe os frutos da derrota na disputa da presidência do Senado. Ela só conseguiu ser titular da CCJ, enquanto ganhou o cargo de suplente em outras comissões. Soraya teve mais sorte ao ser indicada como titular das comissões de Agricultura, do Desenvolvimento Regional e do Turismo e da CCJ. A estreante ainda é titular na CPMI da Fake News, uma das investigações mais estratégicas no parlamento.

Na Câmara dos Deputados, a única que conseguiu um cargo de destaque foi a deputada Rose Modesto (PSDB), que acabou eleita para a terceira secretária da Câmara dos Deputados. Inicialmente, ela assumiria a segunda secretaria, mas o cargo acabou rifado pelo aliado e atual presidente da Câmara,  Arthur Lira (PP).

O deputado federal Fábio Trad (PSD) vai ser titular da Comissão de Constituição e Justiça. Beto Pereira (PSDB) conseguiu ser indicado como titular da Comissão de Minas e Energia e como suplente em outras duas, Agricultura e Ciência e Tecnologia.

Famoso pela fidelidade ao presidente Bolsonaro, Dr. Luiz Ovando (PSL) vangloriou-se de ter recusado o cargo de presidente porque demanda muito tempo focado no colegiado e permanência em Brasília. “Com esse tipo de cargo ficamos muito longe do povo e não estamos vendo a real necessidade dele. Como parlamentar, posso vir a Mato Grosso do Sul e levar as demandas até o presidente da Câmara, em Brasília. Portanto, por esse motivo pedi para não ser indicado pelo meu partido”, justificou, em entrevista ao Correio do Estado.

Ovando será titular da Comissão de Seguridade Social e Família. Dagoberto Nogueira (PDT) será titular da Comissão de Agricultura, enquanto Bia Cavassa (PSDB) será titular em três: Educação, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. O deputado Loester Trutis (PSL) é titular da Comissão de Ciência e Tecnologia, e suplente nas comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado e Relações Exteriores.

Os políticos de Mato Grosso do Sul encolheram até no primeiro escalão de Bolsonaro. Inicialmente, o Estado ocupava dois ministérios, com  Luiz Henrique Mandetta na Saúde e Tereza Cristina, na Agricultura. Apenas a deputada federal continua na esplanada.

Nelsinho Trad aposta em negociações do Centrão, o polêmico conglomerado de partidos de centro-direita, para assumir o Ministério do Desenvolvimento Regional. Com vasto volume de ações de improbidade na Justiça, o ex-prefeito da Capital aposta na nomeação para ganhar força para disputar o Governo do Estado em 2022.

A perca de prestígio da bancada federal de MS ocorre até no Estado. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, exonerou Luiz Carlos Marchetti e nomeou o tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo, Carlos de Oliveira Guandalim, para comandar o Ibama em Mato Grosso do Sul.

A nomeação de um paulista, sem qualquer vínculo com os políticos o Estado e com o Pantanal, mostra que a bancada do Estado está com menos cacife político em Brasília.

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