Simone não conseguiu os 15 votos do MDB, o seu próprio partido (Foto: Arquivo/Poder360)

Simone Tebet (MDB) continua sem apoio suficiente para ganhar a presidência do Senado. O discurso contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) saiu pela culatra e a senadora perdeu apoio dentro do próprio partido. Nesta sexta-feira (22), a emedebista buscou apoio no mercado financeiro para tentar reverter a vantagem do adversário, o senador Rodrigo Pacheco (DEM).

De acordo com o site Poder360, a independência de Tebet em relação ao Governo acabou reduzindo o apoio no MDB. O senador Márcio Bittar, do Acre, anunciou que não votará em candidato contra o Governo Bolsonaro e vai apoiar o democrata. Além dele, Luiz do Carmo, de Goiás, mostrou-se em dúvida.

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Outra dúvida é a senadora Rose de Freitas, do Espírito, filiada ao MDB no dia do anúncio da candidatura de Simone. Ela sinalizou votar na sul-mato-grossense, mas ponderou que precisa saber mais detalhes das propostas da candidata.

“Pretendo votar em Simone, mas gostaria também de conhecer as propostas dela para a votação das reformas e as prioridades das pautas, além do enfrentamento dos problemas sociais do Brasil que geraram um enorme déficit com a sociedade”, justificou-se Rose. Isso significa que Simone só tem 12 dos 15 votos do MDB, que detém a maior bancada no Senado.

O placar na disputa pelo Senado é de 47 votos para Pacheco e 29 para Simone. Isso significa que a sul-mato-grossense precisa de 12 votos. A tarefa não será fácil, já que precisa reverter sete votos e ainda conquistar mais cinco.

Além dos defensores da Lava Jato, Simone quer ter o apoio do mercado financeiro para ganhar musculatura eleitoral no Congresso Nacional. Ontem, ela se reuniu com os principais economistas do País em reunião agendada por Elena Landau, ex-diretora do BNDES e responsável pelo programa de privatização na gestão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

A reunião teria contado com a participação dos responsáveis pela implantação do Plano Real, como Pérsio Arida e Edmar Bacha, o ex-presidente do Banco Central na gestão tucana, Armínio Fraga, Mansueto Almeida e Ana Paula Vescovi.

Para se contrapor a Pacheco, que defendeu mudança na lei do teto dos gastos e causou a queda do mercado financeiro, Simone sinalizou compromisso com o limite. “A intenção de Simone Tebet é tranquilizar o mercado, assegurando respeito ao teto de gastos, ainda que a prorrogação do auxílio emergencial para a população menos protegida se faça necessária e urgente durante a vacinação”, destacou a assessoria.

A emedebista disse que pretende garantir a retomada dos debates de 11 projetos apresentados ao longo de 2020, focados no gerenciamento da crise do novo coronavírus e na redução de seus impactos econômicos. No entanto, a não houve detalhes quais são os projetos.

A eleição do novo presidente do Senado ocorre no dia 1º de fevereiro. Além de Simone e Pacheco, a disputa tem mais dois candidatos: Jorge Kajuru, do Cidadania de Goiás, e Major Olímpio, do PSL de São Paulo. O Cidadania anunciou apoio à Simone.

Nesta sexta-feira, o PSB anunciou apoio à emedebista, mas conta apenas com o voto de Leila Barros, do Distrito Federal.