Ex-ministro caiu de 7% para 1% em pesquisa sobre a sucessão presidencial de 2022 (Foto: Arquivo)

Oito meses após deixar o cargo de ministro da Saúde e mesmo mantendo a artilharia contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por conta das ações em relação a pandemia da covid-19, Luiz Henrique Mandetta (DEM) perdeu a musculatura eleitoral ao longo de 2020. Conforme pesquisa DataPoder, do site Poder360 e o Grupo Bandeirantes, o ex-ministro caiu de 4º para último lugar na sondagem visando as eleições presidenciais de 2022.

Mandetta teria o voto de apenas 1% dos brasileiros, conforme a pesquisa feita entre os dias 21 e 23 deste mês com 2.500 eleitores em 470 cidades das 27 unidades da federação pelo PoderData. A margem de erro é de 2 pontos para mais ou menos.

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O médico campo-grandense ficaria atrás dos principais adversários no mesmo campo ideológico, como o apresentador da TV Globo, Luciano Huck (sem partido), com 9%, o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro (sem partido), 7%, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), com 3%, e João Amoêdo (Novo), com 3%.

Bolsonaro lidera o levantamento com 36%, seguido pelo ex-prefeito de São Paulo e presidenciável do PT, Fernando Haddad, com 13%, e pelo ex-ministro Ciro Gomes (PDT), com 10%. Até o candidato a prefeito de São Paulo e líder do movimento dos sem-teto, Guilherme Boulos (PSOL), ficaria na frente do ortopedista, com 5%.

Mandetta acabou virando presidenciável ao ser demitido do cargo no início da pandemia ao defender distanciamento social e medidas de prevenção, como uso de máscara, para reduzir o número de mortes. Bolsonaro ignorou o apoio de 76% dos brasileiros, segundo o Datafolha, e demitiu o ministro da Saúde.

Em agosto, o DataPoder apontou Mandetta com 5% das intenções de voto para presidente da República. Ele obteve colocação melhor ainda em setembro, quando obteve 7% e ficou em 4º na sondagem, mesmo percentual de Ciro e em empate técnico com Haddad, 10%.

Com a boa colocação no levantamento, o ex-ministro da Saúde poderia pleitear a cabeça de chapa em eventual acordo com Huck, Moro ou Doria. No entanto, com a queda para 1%, Mandetta perde musculatura eleitoral para se impor na sucessão presidencial de 2022.

A queda das intenções de voto em Mandetta também é confirmada pelo Instituto Paraná Pesquisa. Conforme pesquisa feita entre 28 de novembro e 1º de dezembro deste ano, ele ficou com 2,7% das intenções de voto, em penúltimo lugar, só a frente do governador do Maranhã, Flávio Dino (PCdoB), com 1,2%.

Em relação ao mês de abril, quando o mesmo instituto fez pesquisa para a revista Veja, Mandetta tinha mais que o dobro, quando era citado por 6,8% dos brasileiros.

Neste mês, o ex-ministro da Saúde obteve o maior índice entre os moradores das regiões Norte e Centro-Oeste, com 3,7%, e o menor, no Nordeste, com 2,2%. No Sul, Mandetta foi citado por 2,4%, enquanto 2,8% o apontaram no Sudeste. O médico é mais popular entre as mulheres, com 3,7%, enquanto foi citado por 1,6% dos eleitores do sexo masculino.

Os índices mostram que os esforços do ex-ministro para continuar nos holofotes não tiveram resultado. Ele criticou a gestão do Ministério da Saúde pelos militares e lembrou que avisou Bolsonaro sobre a triste estatística de 180 mil mortes causadas pelo coronavírus.

Mandetta ainda lançou o livro “Um Paciente chamado Brasil”, no qual contou a experiência como ministro da Saúde durante um ano e três meses no governo de Bolsonaro e os bastidores do combate à pandemia.