Mato Grosso do Sul está registrando números cada vez mais elevados de infecções pelo coronavírus e a restrição de contato estão na pauta dos gestores estaduais. Está prevista para essa quarta-feira, dia 25, uma reunião entre o secretário de Estado de Saúde Geraldo Resende e o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) para discutir quais medidas serão tomadas tomadas por parte do governo e recomendadas aos municípios para evitar a propagação do vírus.

A luz vermelha está acesa para a maioria das cidades e, na tentativa de evitar o colapso na saúde, o secretário informou que estão em negociação a contratação de leitos de hospitais particulares, a reativação de dez leitos para o HU/UFMS (Hospital Universitário da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e, em número idêntico, para o HR (Hospital Regional). Além das direções dos hospitais, o Ministério da Saúde também está envolvido na discussão. A principal barreira para a oferta de mais leitos é a falta de pessoal, explica Resende.

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Em paralelo, também é avaliado o chamamento de prefeitos para o estudo de medidas conjuntas que visem a queda da transmissão do vírus. A tarefa esbarra no recente processo eleitoral, em que muitos autarcas não tiveram a gestão renovada nas urnas e terão que deixar o cargo. As discussões são urgentes, afinal, em 14 dias, o sistema de testes de Mato Grosso do Sul está quase no limite. “Temos uma capacidade de 1,8 mil testes ao dia. Há 14 dias testávamos entre 300 e 400 pessoas. Hoje são 1,2 mil”. 

Se a testagem aumentou, também cresceu a quantidade de pessoas internadas. “Tínhamos 206 internados por covid-19 há 14 dias. Agora estamos com 333. É um aumento de quase 60%”, lamenta Resende. O secretário lastima-se ainda pela idade dos infectados, a maioria na faixa etária de 20 a 39 anos.

“Infelizmente, poderemos voltar aos patamares de agosto e setembro. E, se os números continuarem nesse contexto, poderemos ter o sistema de saúde esgotado em duas semanas. É necessária a contribuição da população. Todos estão cansados, mas a classe média, formada por pessoas de elevado poder aquisitivo e com maiores condições de mobilidade, é a que mais circula. Essas pessoas podem ter sintomas leves ou serem, até, assintomáticos, mas levam o vírus para casa, para seus idosos”.

Na avaliação de Geraldo Resende, a dificuldade de compreensão por parte da população sobre a gravidade de doenças transmissíveis é antiga e precisa mudar. Ele citou como exemplo os 70  mil casos de dengue registrados neste ano e que resultaram em 42 óbitos. Sobre o manejo da covid-19, o secretário pede paciência. “Nossa expectativa é da vacinação no início no ano. Pedimos que as pessoas aguardem somente mais um pouco”.

Resende não adiantou quais medidas podem ser tomadas, caso a circulação continue sem alteração, mas pondera que em outros países a segunda onda da covid-19 tem sido devastadora. A situação é observada na Europa, onde os governos restringiram a circulação ao estritamente necessário e mantêm o Natal sob dúvida. Na Alemanha, apenas cinco pessoas por famílias serão autorizadas a confraternizar a data no mesmo espaço e a exceção será permitida somente para quem morar na mesma casa. O mesmo é avaliado em Portugal, onde as aulas serão suspensas em datas alternadas e a circulação entre as cidades proibida em fins de semana e feriados.

Nos dois países houve restrição do funcionamento de restaurantes, shoppings, salões de beleza e todo tipo de comércio considerado não essencial. Temendo a falência, proprietários de restaurantes queimaram caixões no centro da cidade do Porto.

O protesto resultou em prisões, mas o governo manteve as restrições diante de hospitais com a capacidade de atendimento esgotada. “Queremos evitar que situações registradas em outros países aconteçam aqui. Neste momento, a desobediência cega ao uso de máscara, ao distanciamento e à higiene das mãos farão que com que tenhamos números preocupantes”.