Juiz Bruno Cezar, da 3ª Vara Federal, negou pedido de habeas corpus de empresário preso na Operação Laços de Família (Foto: Arquivo)

A Justiça manteve a prisão preventiva do empresário Jeferson Alves Rocha, o Bodão, acusado de ser sócio de lava jato usado para lavar dinheiro do tráfico de drogas para a Máfia da Fronteira. Conforme despacho do juiz Cezar Bruno da Cunha Teixeira, da 3ª Vara Federal de Campo Grande, ele executava as atividades criminosas determinadas pelo irmão, Douglas Bodinho, quando ele estava preso por homicídio em Mundo Novo.

Bodão foi preso na Operação Laços de Família, deflagrada pela Polícia Federal em 25 de junho de 2018. Na ocasião, os policiais desarticularam organização criminosa chefiada pelo subtenente da Polícia Militar Silvio César Molina Azevedo,l que dava suporte ao PCC (Primeiro Comando da Capital), facção criminosa surgida nos presídios paulistas, na região de fronteira.

Veja mais:

Máfia tinha 10 empresas, 50 laranjas e um policial militar para apoiar o PCC

Laços de Família: juiz condena matriarca e herdeira de chefe da Máfia da Fronteira

Bodão alegou excesso de prazo para a manutenção da prisão, ter residência fixa e ocupação lícita. O Ministério Público Federal foi contra a concessão o habeas corpus devido à periculosidade do acusado e da proximidade com o Paraguai. Mundo Novo fica a 18 quilômetros de Salto Del Guairá.

O caso do narcotraficante Gerson Palermo foi usado como exemplo para substituir a prisão preventiva por cautelares. Condenado a mais de 126 anos de prisão, ele obteve habeas corpus concedido pelo desembargador Divoncir Schreiner Maran, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, e fugiu oito horas após colocar a tornozeleira. O narcotraficante só permaneceu oito horas com monitoramento eletrônico.

Conforme o magistrado, Bodão e Bodinho usavam o Lava Jato Central, em Mundo Novo, para comercializar veículos e lavar dinheiro para a Máfia da Fronteira. Apesar da empresa ser pequena, eles negociavam carros de luxo, como BMW 320i, Pajeto, Hilux, entre outros.

“Haja vista a cifra da negociação (uma BMW 320 i + 50 mil em dinheiro) pode-se inferir que não se trata de algo ligado a atividade lícita dos irmãos, uma vez que um lava-jato de pequeno porte situado em uma cidade do interior não possui capacidade para movimentar tanto dinheiro”, destacou o magistrado, sobre conclusão da PF.

“Em diligências realizadas na cidade de Mundo Novo foi possível fotografar diversos veículos guardados dentro do LAVA JATO CENTRAL. Grande parte destes automóveis possuíam placas de outros estados (vários do nordeste brasileiro) como as mensagens entre BODÃO e BODINHO sugeriam. Este episódio … indica que os irmãos Alves Rocha utilizam o lava-jato para receber e guardar veículos em forma de pagamento por drogas”, anotou o juiz.

Em outro trecho, Teixeira pontua que Bodão foi a Aral Moreira, onde teria acertado o envio de três toneladas de maconha em carga de milho para Santa Catarina. A droga foi apreendida e ele se desfez do telefone celular no mesmo dia.

Sobre o excesso da prisão preventiva, o magistrado justifica a demora na conclusão do julgamento. As audiências foram concluídas no final do ano passado. “Portanto, não há desídia por parte do Juízo, de modo que a tramitação do feito se deu da forma mais célere dentro do possível, levando-se em conta a complexidade e as particulares dificuldades de tramitação, como poucas vezes se encontrou em operações complexas e mesmo noutras de porte similar”, justificou-se.

Houve prazo em dobro para os réus e o MPF apresentarem as alegações finais. O processo está concluso para a sentença.

Na primeira sentença da Operação Laços de Família, a Justiça condenou a esposa e a filha do subtenente da Polícia Militar Silvio César Molina Azevedo. Roseleia Teixeira Piovezan, a matriarca da organização criminosa, foi condenada a sete anos e seis meses em regime fechado, enquanto a herdeira, Jéssica Piovezan Azevedo, ficou com a pena de quatro anos, nove meses e 18 dias no aberto.