Operação Offset investiga dinheiro de dinheiro público na prefeitura de Corumbá, comandada por Marcelo Iunes (PSDB) (Foto: Divulgação)

A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (6), a Operação Offset, que investiga fraude em licitações e desvio de dinheiro público da Prefeitura Municipal de Corumbá, a 424 quilômetros da Capital. Entre os alvos estão Márcio Aguilar Iunes, irmão do prefeito Marcelo Iunes (PSDB), e ex-assessor especial da gestão de Reinaldo Azambuja (PSDB), o assessor especial da prefeitura, Edson Panes de Oliveira Filho, e o secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, Ricardo Campos Ametlla.

De acordo com a PF, 50 policiais foram às ruas de Corumbá e Campo Grande cumprir 12 mandados de busca e apreensão autorizados pela 1ª Vara Federal da Cidade Branca. Há indícios de fraudes em licitação e superfaturamento na prestação de serviço envolvendo empresa de engenharia campo-grandense.

Veja mais:

Sem limites! Tribunal suspende “negócio de família” feito com dinheiro público em Corumbá

Coincidência da política: empresário se filia ao PSDB e ganha isenção do IPTU por 10 anos

Maior de MS, salário do prefeito de Corumbá supera o valor pago a 19 governadores

Considerado homem forte do irmão, Márcio Iunes tinha cargo de assessor especial no Governo do Estado, onde tinha salário de R$ 10,4 mil por mês, conforme o Portal da Transparência. Coincidentemente, ele foi exonerado na quarta-feira (30), conforme decreto publicado na semana passada pelo secretário estadual de Governo e Gestão Estratégia, Eduardo Riedel. Ele chegou a ter uma sala para despachar na prefeitura.

Coincidência: Governo tucano exonerou alvo de operação na semana passada (Foto: Reprodução)

Policiais federais apareceram para tomar café da manhã com o Edson Panes, que tinha o cargo de assessor especial na prefeitura e foi secretário municipal de Segurança Pública e Defesa Social. Ele era considerado o operador de Marcelo Iunes, que disputa a reeleição neste ano. O outro alvo identificado é o secretário municipal de Infraestrutura, Ricardo Campos Ametlla, que está no cargo desde a posse de Iunes após a morte do prefeito Ruiter de Oliveira (PSDB).

“O nome da operação faz alusão à conhecida técnica de impressão, já que este é o principal ramo de atividade econômica, registrado nos órgãos competentes, de uma empresa investigada”, informou a assessoria da PF.

Viatura da PF durante Operação Offset na casa do secretário de Infraestrutura (Foto: Divulgação)

“Destaca-se que a empresa possui registrados ainda outros ramos de atuação completamente diversos da atividade principal, numa clara tentativa de facilitar a participação em diferentes processos licitatórios, mesmo sem deter outras capacidades necessárias”, explicou. Em tradução livre, Offset significa “fora do lugar” ou “fora do alinhamento”.

 Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, a PF aprendeu R$ 15 mil em dinheiro na casa de um dos investigados. Em outro, foram encontrados R$ 10 mil. Em uma conveniência, os policiais pegaram mais R$ 19 mil.

Favorito na disputa deste ano, conforme as pesquisas de opinião divulgada até o momento, Marcelo Iunes não divulgou nota para falar sobre os desvios investigados na prefeitura e o envolvimento do irmão e os principais assessores.

Ele não é o primeiro alvo de operação da Polícia Federal durante a campanha eleitoral. Considerando-se que o eleitor sul-mato-grossense não se incomoda com as denúncias, o tucano pode até ficar tranquilo.

Em 2018, Reinaldo foi reeleito no segundo turno após ser alvo da Operação Vostok, que apurava o pagamento de propina pela JBS em troca de incentivos fiscais. O suposto esquema criminoso deu prejuízo de R$ 209,5 milhões aos cofres públicos.

Polícia Federal chega para cumprir mandado na prefeitura (Foto: Divulgação)