Ivanildo da Cunha Miranda já foi alvo de três operações da Polícia Federal e é elo entre os três últimos governadores de MS. (Foto: Arquivo)

O pecuarista Ivanildo da Cunha Miranda foi, nesta semana, alvo pela terceira vez de operação da PF (Polícia Federal). O empresário é o delator da operação Lama Asfáltica, onde revelou os bastidores do esquema de pagamento de propina pela JBS ao ex-governador André Puccinelli (MDB); figurou também na Vostok, operação contra o governador Reinaldo Azambuja (PSDB); e na última segunda-feira foi  um dos alvo da Matáá, em que a PF de Corumbá investiga fazendeiros por incêndios no Pantanal.

Ou seja, considerando a estatística proposta pelo programa dominical Fantástico, em que o jogador que faz três gols no mesmo jogo tem direito a pedir uma música, a marca dos três foi alcançada pelo delator.

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A presença de Ivanildo da Cunha Miranda na mais recente operação foi revelada hoje pelo jornal Correio do Estado. De acordo com a matéria, a propriedade do pecuarista é uma das fazendas em que a Polícia Federal identificou focos de incêndio  supostamente criminosos e que são investigados desde julho.

Ao Correio do Estado, o advogado Newley Amarilha disse que a defesa não teve acesso ao inquérito, mas que Ivanildo vai mostrar que os focos não estão em suas propriedades. O Jacaré não conseguiu contato com o advogado nesta sexta-feira.

Fazenda de R$ 68 milhões – O nome da fazenda não foi divulgado, mas em janeiro deste ano a defesa de Ivanildo ofereceu a fazenda São Bento – com 26 mil hectares, localizada em Corumbá e avaliada em R$ 68,1 milhões – para ser bloqueada pela Justiça. Na ocasião, o objetivo era que a 1ª Vara Criminal de Campo Grande deixasse um único bem sobre restrição.

Operação da PF de Corumbá investiga fazendeiros por incêndio. (Foto: Divulgação PF)

Três governadores – Elo entre os três últimos governos estaduais – Zeca do PT, André Puccinelli e Reinaldo Azambuja -, Ivanildo fez acordo de delação premiada para não ser preso e detalhou seu papel de operador de propina.

Em 2017, ele contou à PF (Polícia Federal) que trazia dinheiro em mochilas e caixas. O valor era repassado diretamente a Puccinelli ou depositado nas contas indicadas por ele. A propina, relacionada à concessão de benefícios fiscais a frigoríficos, teria sido paga de 2007 a 2015 por meio de notas frias com valores milionários, dinheiro em espécie e doação para campanha eleitoral.

Ivanildo teria iniciado a atuação nos bastidores na administração de Zeca do PT. Ele chegou a ser um dos alvos de ação civil pública, ao lado do petista, contra a venda do porto de Porto Murtinho aos familiares do ex-governador. Em 2014, Ivanildo foi o operador financeiro da campanha eleitoral do governador Reinaldo Azambuja.

Em 2018, o delator se tornou alvo da operação Vostok, em que a PF apurou suposto pagamento de R$ 67,7 milhões em propinas pela JBS a Azambuja em troca de incentivos fiscais.