Promotora quer proibir abertura de bares na Capital para conter avanço da pandemia (Foto: Arquivo)

Devido à iminência do risco de colapso no sistema de saúde em Campo Grande, a promotora Filomena Aparecida Depólito Fluminhan recomendou medidas mais restritivas, como fechamento de bares, lanchonetes e restaurantes às 17h e a imposição de lei seca. O objetivo é reduzir a disseminação do coronavírus e evitar a superlotação de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Ela enviou dois ofícios ao prefeito Marquinhos Trad (PSD) recomendando a adoção das medidas emergenciais. No entanto, o chefe do Poder Executivo não só ignorou as recomendações, como ampliou o horário do toque de recolher das 20h para as 21h e autorizou a reabertura do comércio e shoppings nos finais de semana na Capital.

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Nesta segunda-feira, quatro hospitais estavam com 100% dos leitos de UTI ocupados: Santa Casa, El Kadri, Pênfigo e Hospital Universitário. O Hospital da Unimed está com 97,2% dos leitos intensivistas ocupados ontem. No domingo, o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul Rosa Pedrossian, referência no combate à pandemia, estava com lotação de 100%. A instituição não divulgou o boletim ontem, mas o Campo Grande News informou que o índice era de 91%.

Os pedidos da promotora foram feitos com base na fiscalização feita pela força-tarefa integrada por promotores, policiais militares, guardas municipais e servidores do município. Eles constataram que a população lotava bares, restaurantes e lanchonetes no período das 17h às 20h. Além da ingestão de bebida alcoólica, conforme Filomena, a maior parte dos campo-grandenses não usava máscara.

De acordo com as recomendações, feitas em regime de urgência ao prefeito nos dias 27 e 31 deste mês, houve maior disseminação da covid-19 devido a aglomeração e falta de proteção facial. No entanto, Marquinhos retardou o toque de recolher de 20h para 21h.

A promotora pediu o encerramento das atividades de bares, restaurantes e similares a partir das 17h, quando os trabalhadores encerraram o horário de expediente e iniciavam o happy hour. Além disso, Filomena pediu a instituição da lei seca na Capital nos finais de semana para evitar aglomerações nos estabelecimentos comerciais.

Marquinhos chegou a estudar a lei seca, mas acabou desistindo por considera-la ineficaz. O prefeito explicou que a população passaria a fazer aglomerações em casa, como vinha ocorrendo com a realização de reuniões e festinhas de familiares e entre amigos, apesar da recomendação das autoridades para evitar os encontros.

Com a recusa do prefeito em seguir as recomendações, a promotora espera que as medidas mais restritivas sejam adotadas pelo Centro Municipal de Operações Especiais, constituído para orientar as ações de combate ao coronavírus.

No entanto, ela sinaliza que descarta seguir o exemplo do Ministério Público em outros estados, como Maranhã e Pará, que conseguiu impor o lockdown por meio de decisões judiciais. Caso recorra ao Poder Judiciário, a promotora sinaliza que optará pelo meio termo, a manutenção da abertura do comércio durante o dia e das igrejas, limitando ao encerramento das atividades noturnas. Ou seja, o coronavírus que acomete o campo-grandense teria hábitos noturnos.

Filomena recomenda fechamento de bares às 17h e lei seca na Capital (Foto: Arquivo)

Autoridades de saúde, especialistas e o Governo do Estado recomendam o lockdown na Capital, ou seja, isolamento total e suspensão de todas as atividades. O único município a seguir a orientação do Prosseguir, o programa estadual para orientar as prefeituras, foi Aquidauana, que decretou isolamento total por uma semana, até a próxima sexta-feira (7).

Campo Grande e Miranda ignoraram o suposto plano de segurança traçado pela administração estadual.

Em 24h, secretaria municipal elimina 270 casos e Capital tem queda inédita em número de infectados

A Secretaria Municipal de Saúde eliminou, pelo menos, 270 casos da covid-19 em 24 horas. Com a medida, a Capital teve queda inédita no número de casos positivos de coronavírus, de 11.104, no domingo, para 10.834 ontem.

O Jacaré divulgou ontem a divergência nos dados divulgados pelo Estado e pela prefeitura. Enquanto o município fechava o boletim às 17h, o Governo encerrava duas horas mais tarde (19h).

No entanto, a prefeitura contabilizava mais casos e menos mortes, enquanto a Secretaria Estadual de Saúde registrou 421 casos a menos e três mortes a mais.

Nenhuma das duas pastas explicaram apesar de terem sido procuradas pelo O Jacaré na manhã de ontem.

“A alteração no número de casos do dia 02/08 deve-se à mudanças no tratamento da base que, a partir da referida data, passa a considerar apenas uma notificação caso o paciente tenha feito mais de um teste”, explicou a Sesau em publicação no Facebook.

O boletim técnico, que era divulgado todo dia no site da secretaria, não foi divulgado ontem e disponibilizado apenas na manhã de hoje (4).

(editada às 8h35 para acrescentar a informação de que o boletim foi disponibilizado. Assessoria garante que foi ontem)