Campeão em gastos no Senado entre os senadores de MS e do Centro-Oeste, Nelsinho gastou R$ 230,2 mil no primeiro semestre (Foto: Arquivo)

Apesar do Senado ter adotado atividades remotas desde março deste ano por causa da pandemia do coronavírus, o senador Nelsinho Trad (PSD) manteve o ritmo dos gastos do dinheiro público e fechou o primeiro semestre com gasto de R$ 230,2 mil. Além de ser 148% maior que o valor usado pela senadora Simone Tebet (MDB), o ex-prefeito da Capital é campeão em gastos entre os 12 senadores da região Centro-Oeste.

Em decorrência do eleitor mais politizado e exigente na capital federal, dois dos três senadores de Brasília praticamente não usara a Cota para Exercício da Atividade Parlamentar. Reguffe (Podemos) usou, acredite, apenas R$ 31,10, conforme o Portal da Transparência do Senado. Leila Barros (PSB) utilizou R$ 970,19, trocado diante do montante torrado por Nelsinho.

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O polêmico radialista e colunista Jorge Kajuru (Cidadania), senador por Goiás, é outro que entrou na onda de moralidade sonhada por muitos eleitores brasileiros, pegando apenas R$ 63,16 da cota a que tem direito.

Já o médico Nelsinho Trad não faz economia com o dinheiro público. Com 66 assessores contratados pelo Senado, ele possui uma das maiores bancadas de funcionários pagos pelo poder público.

De janeiro a junho deste ano, o senador gastou R$ 230,2 mil, sendo R$ 213 mil da cota parlamentar e R$ 17,1 mil dos gastos extra. Na cota, o ex-prefeito da Capital usou R$ 161 mil só para assessoria digital. A Home Mix Produção e Assessoria de Radiofusão, de Campo Grande, recebeu de R$ 25 mil a R$ 30 mil por mês para prestar serviço na área de internet ao senador.

Nelsinho usou R$ 33,8 mil para pagar aluguel do escritório político na Capital. De acordo com o Portal da Transparência, o presidente da Comissão de Relações Exteriores recebeu R$ 14,2 mil em diárias. A viagem aos Estados Unidos, junto com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em abril e que lhe custou a covid-19, rendeu-lhe R$ 8,9 mil em diárias. A visita a Buenos Aires, capital da Argentina, custou R$ 4,7 mil aos cofres públicos.

Em relação aos senadores do Estado, Nelsinho gastou 148% mais em relação a Simone Tebet (MDB), que utilizou R$ 92,8 mil, e 41,72% acima do gasto da estreante Soraya Thronicke (PSL), com R$ 162,4 mil.

Confira os gastos dos senadores de MS

Senador (a)TotalMídiasCorreios
Nelsinho Trad (PSD)230.249,48161.000,001.818,67
Soraya Thronicke (PSL)162.459,8353.458,86621,91
Simone Tebet (MDB)92.821.26043.415,90

O gasto do senador campo-grandense é o dobro do senador Wellington Fagundes (PL), que teve o maior valor entre os parlamentares do Mato Grosso, com R$ 104,5 mil. O mesmo ocorre em relação ao campeão goiano em gastar dinheiro do Senado, Luiz do Carmo (MDB), R$ 106,3 mil.

Nelsinho superou até o gasto do senador Izalci Lucas (PSDB), do Distrito Federal, que é campeão nacional em número de assessores, 82. O valor torrado pelo sul-mato-grossense é três vezes maior que o gasto pelo tucano, R$ 78,8 mil.

No Estado, a senadora Soraya ficou em segundo lugar em gasto no Senado, com R$ 162,4 mil. Dos R$ 161 mil usados da cota parlamentar, ela destinou R$ 53,4 mil para serviço de apoio à atividade no Senado.

A presidente da Comissão de Agricultura do Senado pagou de R$ 7,4 mil a R$ 9,7 mil por mês para o serviço de mídias sociais para a Pilote Gestão da Inovação, do Distrito Federal. Por trabalho semelhante, Nelsinho desembolsou de R$ 25 mil a R$ 30 mil. O segundo maior desembolso ocorreu com aluguel, no valor de R$ 44,8 mil.

Simone gastou R$ 92 mil, enquanto Soraya utilizou R$ 162,4 mil (Foto: Arquivo)

Simone utilizou R$ 92,8 mil do Senado no primeiro semestre deste ano. Dos R$ 49,5 mil da cota parlamentar, a emedebista destinou a maior parte, R$ 41,4 mil com o aluguel de duas salas comerciais para o escritório político.

A presidente da Comissão de Constituição e Justiça se destaca pelo altíssimo gasto com Correios em plena era da tecnologia. Só de janeiro a junho, ela utilizou R$ 43,4 mil com o envio de correspondência. Em junho, só com o PAC, serviço de entrega de encomendas, foram gastos R$ 24 mil.

Só para o leitor ter noção, enquanto Simone torrou R$ 43.415,90 com Correios, Soraya gastou apenas R$ 621,91 com o serviço, enquanto Nelsinho, R$ 1,8 mil. Neste quesito, Simone é a campeão em gasto no Centro-Oeste.

Veja dos demais senadores do Centro-Oeste

Mato GrossoTotal
Carlos Fávaro (PSD)68.231,82
Jayme Campos (DEM)51.195,56
Wellington Fagundes (PL)104.592,00
Goiás
Luiz do Carmo (MDB)106.326,14
Vanderlan Cardoso (PSD)19.681,11
Jorge Kajuru (Cidadania)63,16
Distrito Federal
Izalci Lucas (PSDB)78.876,27
Leila Barros (PSB)970,19
Reguffe (Podemos)31,10
Fonte: Portal da Transparência do Senado