Prefeito Odilon Ribeiro e o ex-secretário (de pé) defendem cargo com salário de R$ 8 mil a mulher do segundo (Foto: Arquivo)

Uma polêmica vem atiçando os bastidores políticos em Aquidauana, cidade com 47,8 mil habitantes a 130 quilômetros de Campo Grande. O prefeito Odilon Ribeiro (PSDB) demitiu 300 professores temporários em decorrência da suspensão das aulas na rede municipal por causa da pandemia do coronavírus. Por outro lado, ele contratou a mulher do ex-assessor com salário de R$ 8 mil por mês.

O tucano confirmou a suspensão dos contratos dos docentes. Na prática, ele seguiu o exemplo do Governo do Estado, comandado pelo colega de partido, Reinaldo Azambuja (PSDB), e orientação da Assomasul (Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul). Ribeiro antecipou as férias escolares para o período de 4 a 18 de maio deste ano.

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“Não temos previsão de volta às aulas”, admitiu. Crianças e adolescentes tiveram as aulas suspensas como parte da estratégia para evitar a propagação do coronavírus, que já causou mais de 8 mil mortes e infectou 121,6 mil pessoas no Brasil.

A aula a distância acabou sendo implementada em Aquidauana, o que justificou, conforme o prefeito, a demissão dos 300 professores temporários. “Minha comunidade é muito carente e muitos não têm computador, sequer internet”, lamentou.

Outra medida adotada para reduzir custos foi a redução de 30% no próprio salário e de 10% no subsídio da vice-prefeita, Selma Suleiman, e dos secretários municipais. Também cortou em 50% a gratificação paga aos comissionados e efetivos ocupantes de cargos de confiança.

Por outro lado, Ribeiro contratou a advogada Cintia Carla Lemos para o cargo de diretora-executiva do Gabinete. Ela é esposa do ex-vereador e ex-secretário municipal de Governo, Wezer Lucarelli, que era tido como homem forte da administração municipal até deixar o cargo no mês passado. Ele se afastou para ser candidato a vice-prefeito nas eleições deste ano.

Lucarelli chegou a ser tema de reportagem de O Jacaré em março de 2018, quando o prefeito da cidade lhe delegou amplos poderes, por meio de procuração registrada em cartório e publicada no Diário Oficial do Município. Conforme o documento, ele passou a ter “poderes amplos, gerais ilimitado, irrevogáveis e irretratáveis”.

Ao deixar o cargo de poderoso secretário municipal de Governo, Lucarelli conseguiu emplacar a nomeação da esposa para outro cargo de confiança no gabinete do prefeito. “O cargo estavas vago quase um mês e preciso de gente competente e séria ao meu lado”, justificou-se Ribeiro.

Cintia: prefeito diz que precisava de alguém competente e cargo estava vago (Foto: Arquivo)

O ex-vereador também saiu em defesa da esposa. “Advogada. Com atuação jurídica no Ministério Público. Já atuou como Juíza Leiga perante o Poder Judiciário. Atuou junto a Defensoria Pública de Aquidauana. Designada pelo Tribunal de Justiça com tabeliã por três anos. Tem todos os predicados, aliás de sobra”, enumerou o esposo.

“Sempre estudou em escola pública. Formou-se através de viagens diárias de ônibus. Através do ProUni. Filha de Ferroviário. Ela tem carreira própria. É uma mulher vencedora”, enfatizou o ex-vereador. “Tem todos os predicados para o cargo”, concluiu.

Ele enxergou dedo dos adversários na polêmica e reagiu com ataques ao deputado estadual Felipe Orro, que está no mesmo partido de Ribeiro. A esposa do tucano, Viviane Orro, é cotada para disputar a prefeitura nas eleições deste ano. “Na gestão do Deputado Felipe Orro, sua noiva hoje esposa era secretária de saúde”, observou.

Lucarelli não quis explicar por que renunciou ao mandato de vereador – ele tinha obtido 921 votos e foi o 2º mais votado nas eleições de 2016.

Aquidauana é cidade histórica e fica localizada na entrada do Pantanal (Foto: Arquivo)