Condenado a 42 anos, Thales foi monitorado pela PF durante as investigações (Foto: Reprodução)

Acusado de ser um dos mais jovens chefes do narcotráfico na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai, o “empresário” Thales Antunes Cordeiro, 26 anos, foi condenado a 42 anos e 8 dias de prisão em regime fechado e perdeu 18 veículos, sendo oito caminhões, oito automóveis de luxo e duas motocicletas.

Publicada nesta sexta-feira (27), sentença do juiz Bruno Cezar da Cunha Teixeira, da 3ª Vara Federal de Campo Grande, condenou a quadrilha a mais de 88 anos de reclusão. Eles foram condenados por tráfico transnacional de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Veja mais:

Jovem empresário da fronteira e o pai viram réus por tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro

Chefes do tráfico, irmãos são condenados a 82 anos por ostentar vida de luxo

Acusado por tráfico é condenado por esconder R$ 3,3 milhões em fundo falso de carro

A organização criminosa de Aral Moreira foi desbaratada pela Operação Kratos, deflagrada pela Polícia Federal em maio do ano passado. Na ocasião, eles foram acusados de enviar cocaína e maconha por meio de carretas, caminhões e automóveis em nomes de laranjas.

Com renda declarada de R$ 3,5 mil por mês, Thales mostrou que fazia milagre com o dinheiro. Conforme o magistrado, ele foi preso com seis telefones celulares, sendo dois sem chips, e era o dono de fato de uma frota de quatro caminhões e quatro carretas.

Condenado a 14 anos, 10 meses e 8 dias, o pai do jovem, Juscelino César Cordeiro Azevedo, estava desempregado. Em depoimento à PF, ele contou que sobrevivia com renda de R$ 1,3 mil por mês proveniente de aluguel de uma casa. No entanto, ele não soube explicar como morava em casa de R$ 300 mil e mantinha a Hilux, Saveiro e motocicleta. “Eu levo uma vida simples em Aral Moreira”, justificou-se.

No entanto, policiais federais flagraram Juscelino dizer, ao deixar o telefone celular ligado, de que tinha conseguido vender 90 quilos de pó. Para a PF, ele conversava sobre a venda de cocaína, avaliada em R$ 1,5 milhão. Devido ao sucesso da operação, o narcotraficante planejava comprar mais uma carreta.

O juiz condenou outros integrantes da organização criminosa. Acusado de ser o gerente de transporte da quadrilha, Fernando Trenkel foi condenado a 14 anos e 26 dias de prisão. Responsável em recrutar motoristas para realizar o transporte da droga, Renato Pazeto Franco foi sentenciado a oito anos e dois meses. Encarregado de preparar o local para armazenar a cocaína e maconha, Jean Carlos Flores Gomes foi punido com nove anos e quatro meses de prisão.

Bruno Cezar Teixeira ainda manteve a prisão preventiva dos cinco réus, que não poderão recorrer em liberdade contra a decisão. O magistrado decretou o perdimento dos caminhões, carretas, automóveis e motos, que serão encaminhados para a Secretaria Nacional Antidrogas.

Em interceptação da Polícia Federal feita em 2017, a amante aconselhou Thales a parar com o tráfico internacional de drogas. Na oportunidade, a mulher teria lhe recomendado a abandonar o crime e procurar emprego honesto porque as coisas não estavam indo bem.

O jovem chefe do narcotráfico não deu ouvidos ao conselho e corre o risco de passar todo o restante da juventude atrás das grades.