Mesmo com o coronavírus, grupo pretende repetir carreata para demonstrar apoio a Bolsonaro (Foto: Arquivo)

Pressionados pelos seguidores, os movimentos de ruas recuaram da decisão de adiar a manifestação de apoio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Apesar do agravamento da pandemia do coronavírus, eles decidiram manter o protesto contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal para a tarde deste domingo (15) em Campo Grande. No entanto, como medida de prevenção, a passeata foi substituída por carreata.

“O povo tá pilhado, pedindo e quer ir às ruas”, justificou o produtor rural Júlio Nunes, um dos coordenadores do QG Voluntários do Bolsonaro. “Todo mundo nos grupos pedindo e a gente teve que voltar atrás. Tivemos que rever. Então, cancelamos o cancelamento”, comentou.

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“Atendendo à sugestão do nosso Presidente, o QG Voluntários do BOLSONARO e demais grupos de rua de Campo Grande cancelaram a passeata em apoio a ele. Mas, QUEM É BOLSONARO NÃO ARREGA! Por isso, os patriotas, nossos parceiros, não se conformaram com a desistência. Não aceitaram que não fizéssemos o ato em apoio ao nosso Presidente”, ressaltou Sirlei Ratier, coordenadora do QG Voluntários do Bolsonaro e do Pátria Livre.

Com a decisão, os seis movimentos de rua vão realizar carreata para protestar contra o Congresso Nacional. A concentração dos veículos ocorrerá a partir da 16h nos Altos da Avenida Afonso Pena, em frente à Cidade do Natal.

De acordo com Nunes, a expectativa é percorrer a Avenida Afonso Pena, subir a Rua Bahia, pegar a Mato Grosso e contornar o Parque dos Poderes. No entanto, o percurso vai depender da adesão à carreata, minada pela pandemia do coronavírus.

O próprio presidente da República, Jair Bolsonaro, pediu o adiamento da manifestação para evitar a aglomeração de pessoas e minimizar o impacto da pandemia no Brasil. Ele está de quarentena porque integrantes da comitiva na viagem aos Estados Unidos, inclusive o senador Nelsinho Trad (PSD), estão com o coronavírus.

Os movimentos QG Voluntários do Bolsonaro, Pátria Livre, Chega de Impostos, Fora Corruptos, Avança Brasil e Nas Ruas decidiram reforçar a mobilização do deputado estadual Capitão Contar (PSL), que convocou os motociclistas para a moto-carreata em apoio a Bolsonaro e no protesto contra o parlamento.

A concentração dos moto-clubes vai ocorrer a partir da 15h30 no estacionamento do Parque das Nações Indígenas na Rua Antônio Maria Coelho. O deputado recomendou aos participantes para irem de máscara, evitarem abraços e tomar tereré para não propagar a doença.

Nas postagens para chamar para a manifestação, os movimentos de rua enfatizam que lutam “por um futuro seguro para nossos filhos”. “Enquanto o Bolsonaro destrói a destruição, nós cancelamos o cancelamento”, propagam.

A manifestação não será ilegal porque o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) ainda não decretou situação de emergência no Estado nem baixou portaria proibindo aglomerações. A medida foi adotada no Distrito Federal e no Rio de Janeiro.

Graças à propagação do coronavírus no Brasil, a mobilização não terá o impacto previsto inicialmente nem deverá elevar a tensão política. Inicialmente, a concentração de milhares de eleitores poderia pressionar o Congresso a ceder às exigências de Bolsonaro ou declarar guerra ao Governo.

Caso a maioria desista do protesto, o evento não poderá ser considerado fracasso porque parte da população está em pânico em decorrência da pandemia e vem seguindo as orientações das autoridades para evitar aglomerações.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, queria suspender a manifestação. Em último caso, ele orientou que pessoas gripadas ou resfriadas não compareçam ao evento para evitar a propagação do vírus.

Apesar da gravidade da situação e alerta das autoridades, parte da população segue cética com o problema. Um morador de Vila Velha, no Espírito Santo, ignorou a quarentena e viajou para São Paulo, mesmo com o exame positivo para o coronavírus. Ele pretende embarcar para Londres e acabou localizado pela Polícia Federal em um hotel na capital paulista.

Bolsonaro também duvidou da pandemia e chegou a afirmar que se tratava de “fantasia da grande imprensa”.