Capitão Contar contrariou o PSL e vem conclamando para a manifestação contra o Congresso Nacional: “contra chantagens e barganhas que rodeiam o Congresso” (Foto: Arquivo)

O deputado estadual Capitão Contar (PSL) decidiu contraria o próprio partido e convocou “moto-carreata”, que aposta ser “a maior de Mato Grosso do Sul”, para apoiar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e reforçar o protesto contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal. É mais um reforço de peso à manifestação de domingo (15), organizado por cinco movimentos de ruas e produtores rurais.

A mobilização ganhou o apoio de Bolsonaro, inconformado com o acordo que manteve R$ 15 bilhões em emendas nas mãos da Câmara dos Deputados. A tensão entre os poderes da República se elevou com a troca de acusações nos bastidores entre o capitão e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM).

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A crise se agrava na política brasileira em meio à chegada ao País da pandemia do coronavírus e a crise econômica mundial com a queda no preço do petróleo. O protesto deve ganhar força com a denúncia de Bolsonaro, de que houve fraude nas eleições de 2018, vencida por ele no segundo turno. Sem apresentar provas, ele disse que a manipulação impediu sua vitória no primeiro turno.

Em Mato Grosso do Sul, a manifestação ganhou o apoio do deputado estadual Capitão Contar, campeão de votos para a Assembleia Legislativa. “O protesto mira diversos pontos, entre eles as chantagens e barganhas que rodeiam o Congresso. Sou contra o toma lá dá cá. Todos deveriam se unir em prol do Brasil”, justificou o deputado.

Contar promete realizar a maior moto-carreata da história de Mato Grosso do Sul. Segundo o parlamentar, 40 moto-clubes já confirmaram participação no ato de domingo. Ele prevê a participação de mais de 300 motociclistas.

A concentração ocorrerá a partir da 15h30 no Yotedy, no estacionamento do Parque das Nações Indígenas na Rua Antônio Maria Coelho. Os motoqueiros vão contornar o Parque dos Poderes, seguir pela Avenida Afonso Pena, passando pelo Obelisco (local da concentração da manifestação), Comando Militar do Oeste, Base Aérea e seguindo até o Ministério Público Federal. A expectativa é percorrer 25 quilômetros em uma hora.

“Dia 15 de março, os brasileiros vão às ruas em apoio ao Governo Bolsonaro e em defesa das pautas que precisam ser votadas. É legítimo o direito de defender e apoiar as decisões e ações de quem elegemos para nos representar”, postou Contar, nas redes sociais.

“Respeitamos os poderes, mas as insatisfações populares contra o marasmo do Congresso precisam ser ouvidas. Dia 15 de março o Brasil vai às ruas pedindo ao Congresso, mais celeridade e menos oportunismo”, afirmou.

“Os brasileiros estão cansados da velha política, das negociatas, da falta de compromisso com os recursos públicos e da manutenção de privilégios. Chega! Dia 15 é pelo Brasil, é pelo Governo Bolsonaro e pelas mudanças de verdade!”, conclamou.

Só que para convocar a manifestação a favor de Bolsonaro, o deputado contrariou a direção nacional do PSL, que orientou os parlamentares a não participarem do ato de domingo. “A orientação partidária do PSL é que seus parlamentares não participem. Pelo menos na esfera federal. Eu vou participar pois sou Bolsonaro e apoio nosso presidente e suas pautas”, ressaltou. “É constitucional manifestar pacificamente. Estou amparado”, justificou-se.

A manifestação recebeu duras críticas dos deputados federais. O mais incisivo tem sido Fábio Trad (PSD), que alertou para o risco de ruptura institucional e de “crime de estado”. Ele alertou para “assassinato da democracia”.

O apoio de Bolsonaro ao protesto também foi condenado pelos deputados Beto Pereira (PSDB) e Dagoberto Nogueira (PDT). Eles consideram grave o presidente da República fomentar protestos contra outros poderes da República, no caso, o Congresso Nacional.

A manifestação deve ocorrer na maior parte das cidades brasileiras. Em Campo Grande, a concentração acontece a partir das 16h na Avenida Afonso Pena, em frente ao Obelisco, e deve seguir até o Ministério Público Federal, repetindo o trajeto das manifestações contra a corrupção e a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).