Governador ampliou em 12 vagas para concurso que deveria contratar mil, mas só teve 73 aprovados (Foto: Chico Ribeiro)

O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) nomeou, nesta segunda-feira (20), os aprovados no polêmico concurso do magistério, realizado em dezembro de 2018. Além da nomeação dos professores, o tucano ampliou em 12 a quantidade de vagas no certame, que foi aberto para contratar mil docentes, mas só 73 foram aprovados em todas as fases e serão contratados. (veja o Diário Oficial de hoje)

Realizado pela Funrio (Fundação de Apoio à Pesquisa, Ensino e Assistência à Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro), o processo foi marcado pela reprovação de 99,46% dos 13.470 candidatos que fizeram as provas. No total, foram 14.133 inscritos.

Veja mais:

MPE quer anular 19 questões e reclassificação em concurso que reprovou 99% dos professores

UFMS aponta erros em 20 questões de concurso que reprovou 99% dos professores

Governo arrecada R$ 3,1 milhões, reprova 13 mil e só aprova 74 para mil vagas de professor
Sucessão de erros e suspeita de fraudes levam 4,6 mil a pedir anulação de concurso

Promessa de campanha de Reinaldo, o concurso para contratar mil professores foi aberto durante as eleições de 2018 para contratar mil docentes. No entanto, só 74 candidatos obtiveram nota mínima na prova escrita para serem submetidos a segunda fase.

Conforme decreto do governador, publicado hoje, todos os 73 aprovados foram nomeados. Dos 79 municípios, só 18 tiveram aprovados no polêmico concurso. As nomeações foram feitas nas cidades de Campo Grande (36), Dourados (10), Amambai (1), Bodoquena (1), Cassilândia (1), Chapadão do Sul (2), Corumbá (1), Costa Rica (1), Coxim (1), Jardim (2), Juti (1), Laguna Carapã (1), Maracaju (2), Mundo Novo (1), Nova Andradina (1), Pedro Gomes (1), Ponta Porã (5) e Três Lagoas (5).

Além da nomeação, Reinaldo ampliou em 12 o quantitativo de vagas na disciplina de Língua Portuguesa ofertadas no mesmo concurso, sendo 8 na Capital, 3 em Dourados e 1 em Itaporã. Em Campo Grande, dos 36 nomeados, 13 são professores de português. Em Itaporã não há aprovado em nenhuma disciplina.

Falhas e erros de gravíssimos marcaram o concurso realizado no final de 2018. O promotor Marcos Alex Vera de Oliveira ingressou com ação na Justiça para anular 19 questões e obrigar o Governo a realizar a reclassificação dos candidatos, mas o pedido de liminar foi negado pelo juiz David de Oliveira Gomes Filho, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos.

Com base em parecer de especialistas da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), o MPE apontou erros grosseiros e questões com nenhuma ou mais de uma alternativa correta. A Secretaria Estadual de Educação alegou que há jurisprudência de que o Poder Judiciário não pode substituir a banca examinadora no concurso.

Além da reprovação recorde e inédita no País, a gestão de Reinaldo Azambuja vem sendo marcada pela imposição de sacrifícios aos professores. Em julho do ano passado, o tucano reduziu em 32,5% o salário de metade dos 18 mil professores da rede estadual de ensino.

Neste domingo, outro exemplo de perrengue criado para causar transtornos aos docentes. O Governo realizou processo seletivo para contratar os temporários, mas restringiu a aplicação da prova a apenas duas cidades: Campo Grande e Dourados.

A maior parte dos 24 mil inscritos no seletivo foi obrigada, pela primeira vez, a percorrer quilômetros para fazer a prova de três horas, que foi aplicada no final da tarde de domingo (a partir das 15h).

Caminhonete capotou com cinco professoras que iam fazer seletivo em Dourados, sendo que uma está grávida e três com sintomas da dengue (Foto: Vilson Nascimento/A Gazeta News)

Na tarde de ontem, cinco professoras ficaram feridas em acidente na MS-156. De acordo com o site A Gazeta News, as mulheres iam de Tacuru para fazer a prova em Dourados. A caminhonete capotou no caminho e as cinco ficaram feridas – uma está grávida e três tinham sintomas da dengue. Felizmente, nenhuma corre risco de morte.

O processo seletivo foi determinado pela Justiça para acabar com critérios políticos na contratação de professores temporários na rede estadual de ensino. No entanto, ao cumprir a medida para tornar o processo mais republicano, a administração tucana deixou a sua marca, a de que sempre criar obstáculos ao magistério.

Além do gasto extra com deslocamento para fazer a prova, os professores contratados vão receber 32,5% a menos em relação ao salário pago ao servidor efetivo.