Doleiro Najun Turner, que teria pedido indicação de casa de câmbio no Paraguai, ao dono do Shopping China (Foto: TV G1)

Com a prisão preventiva decretada pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro, o dono do Shopping China, Felipe Cogorno Alvarez, divulgou nota, nesta quarta-feira (20), para negar qualquer vínculo com Dario Messer, o doleiro dos doleiros. No entanto, ele admitiu que indicou uma casa de câmbio para outro foragido, Najun Turner.

Alvarez teve a prisão decretada na Operação Patron, mais uma fase da Lava Jato carioca. Ele é acusado de ter ajudado Messer a ocultar US$ 500 mil – o equivalente a R$ 2,1 milhões. O dinheiro teria sido entregue para a noiva do doleiro, Myra Oliveira, em Assunção, capital do Paraguai, conforme a Polícia Federal.

Veja mais:

Dono do Shopping China tem prisão decretada por ocultar R$ 2,1 milhões para doleiro dos doleiros

Dicas de Moro para pegar Lula são empresário e contador de Campo Grande, diz Veja

PF suspeita de repasse de R$ 11 milhões pela JBS a Bumlai

Em nota, Felipe Cogorno Alvarez rechaça a suspeita. “Jamais tive algum tipo de contato com o Sr. Dario Messer”, garantiu. Ele destacou que só conhece o doleiro no âmbito social, como qualquer outro empresário paraguaio.

“Não possuo amizade, nem vínculos comerciais com o Sr. Dario Messer. Apenas o conheço do âmbito social, como outros tantos empresários do país (Paraguai)”, afirmou.

“Nunca recebi, depositei ou realizei qualquer tipo de operação financeira para o Sr. Dario Messer ou para a Srta. Myra Oliveira”, garantiu. Ele é acusado de ter entregue US$ 500 mil para a namorada do doleiro. No celular de Messer, a Polícia Federal encontrou extrato bancário de depósito de US$ 260 mil de Felipe.

“O único motivo pelo qual incluíram meu nome no Ministério Público do Brasil foi por que (sic) conheço um advogado da minha época de faculdade em São Paulo, que no começo do ano entrou em contato comigo e solicitou uma recomendação para uma empresa de câmbios no Paraguai. Neste momento sugeri a Fe Câmbios, empresa habilitada, regularizada e fiscalizada pelo Banco Central do Paraguai”, justificou-se.

Esta empresa foi usada por Dario Messer para receber dinheiro por meio da noiva no Paraguai, conforme a PF.

“Considero absurdo e lamentável que me inclua nessa situação, a qual não possuo nenhum envolvimento”, lamentou o dono do Shopping China, o mais famoso centro comercial na fronteira com Ponta Porã.

Além de Alvarez, o juiz Marcelo Bretas decretou a prisão preventiva do ex-presidente do Paraguai, Horacio Cartes, do empresário Antônio Joaquim da Mota, o Tonho, e sua esposa, Cecy Mendes Gonçalves da Mota Joaquim. Os filhos do casal, Antônio Joaquim Mendes Gonçalves da Mota e Orlando Mendes Gonçalves Stedile (enteado de Tonho), tiveram a prisão temporária decretada.

Dono frigorífico em Ponta Porã e no Paraná, Tonho teria escondido Messer em propriedades rurais no Paraguai durante a fuga do doleiro dos doleiros. Ele ficou foragido entre maio do ano passado e julho deste ano. Messer é acusado de lavar US$ 1,6 bilhão por meio de 3 mil offshores em 52 países.

Policiais federais cumpriram mandados em Ponta Porã ontem (Foto: Arquivo)