Juiz acatou pedido de empresário, porque ele cumpriu as cautelares por três anos (Foto: Arquivo)

Preso na Operação Pecúnia em agosto de 2016, o empresário Evandro Simões Farinelli obteve autorização da Justiça para viajar para a Itália em outubro deste ano. Ele é acusado de ser testa de ferro do ex-prefeito da Capital, Gilmar Olarte, e da ex-primeira-dama Andréia Zanelato Olarte, que teriam adquirido R$ 3,6 milhões em imóveis entre setembro de 2014 e maio de 2015.

A ação penal tramita na 1ª Vara Criminal de Campo Grande e está conclusa para a sentença. O casal, o empresário e o corretor de imóveis Ivamil Rodrigues de Almeida podem ser condenados por corrupção e lavagem de dinheiro.

Veja mais:

Olarte crê em absolvição e aposta na candidatura da esposa nas eleições deste ano
Presidente do STJ nega recurso especial que pode evitar prisão de Olarte

Gilmar Olarte cobra R$ 527 mil em salários no período em que ficou afastado da prefeitura

Farinelli ficou preso de 15 de agosto a 26 de setembro de 2016. Na época, ele obteve a liberdade mediante o cumprimento de medidas cautelares, como comparecimento mensal em juízo, não se ausentar da comarca sem autorização judicial e a entrega do passaporte.

Como planeja viajar para a Itália em outubro deste ano, o empresário pediu a suspensão das medidas cautelares e a devolução do passaporte. A defesa destacou que Evandro Farinelli cumpriu todas as determinações judiciais e nunca interferiu nas investigações.

O Gaeco (Grupo de Atuação na Repressão ao Crime Organizado) emitiu parecer contra o pedido. No entanto, o juiz Roberto Ferreira Filho, acatou parcialmente o pedido da defesa, conforme despacho publicado na terça-feira (27) no Diário Oficial da Justiça.

“Denota-se que já decorreram quase 3 (três) anos que o requerente foi posto em liberdade, e vem cumprindo satisfatoriamente as cautelaresimpostas. Ademais, analisando a ação penal, verifica-se que já foram apresentadas as alegações finais, estando perto de seu deslinde”, afirmou, sobre a iminente publicação da sentença.

O magistrado ampliou o período para se ausentar da comarca a trabalho ou lazer de oito para 20 dias. Ele também determinou a devolução do passaporte. “Contudo, tendo em vista que o requerente pretende viajar para o exterior, reputo temerária a revogação da proibição de se ausentar da comarca sem autorização do juízo”, alertou.

Na prática, o juiz deu aval para o suposto testa de ferro do casal Olarte comprar as passagens para o exterior. Ele não informou o motivo da viagem à Itália.

Farinelli é acusado de ter emprestado o nome para Andréia e Gilmar Olarte comprarem imóveis no Residencial Damha II e no Villas Damha. O casal de políticos planejava construir uma mansão no condomínio, que passou a ser o preferido dos políticos.

Além desta ação, Olarte e a esposa são réus em outra ação penal por lavagem de dinheiro. O processo tramita em sigilo e houve a quebra dos sigilos das empresas da ex-primeira-dama.

O ex-prefeito já foi condenado a oito anos e quatro meses de prisão em regime fechado por corrupção pela Seção Criminal Especial do Tribunal de Justiça. Ele quer anular a sentença, porque tinha renunciado ao mandato de prefeito e perdido o foro para ser julgado em segunda instância.

Este pedido está emperrado no Órgão Especial e teve o desfecho adiado por sete reuniões consecutivas a pedido do desembargador Divoncir Schreiner Maran, ex-presidente do Tribunal de Justiça. A instância máxima do tribunal voltou a pautar o recurso para a próxima quarta-feira (3).

(Matéria editada para corrigir a foto, que foi publicada de forma equivocada. Pedimos desculpas pelo erro)