Com seis votos de MS, texto principal da Reforma da Previdência foi aprovado por 379 votos a 131 (Foto: Câmara dos Deputados)

Sem exigir a liberação de um tostão dos R$ 2,5 bilhões liberados em emendas para Mato Grosso do Sul, seis dos oito deputados federais aprovaram as regras mais rigorosas para a concessão de aposentadoria. Só Dagoberto Nogueira (PDT) e Vander Loubet (PT), que consideraram a reforma prejudicial aos trabalhadores e mais pobres, votaram contra.

A bancada ficou dividida sobre a manutenção da aposentadoria especial aos professores. No entanto, o destaque acabou rejeitado, porque não obteve os 308 votos necessários para tirar os profissionais da educação básica da Reforma da Previdência proposta pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL).

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Para aprovar as mudanças, o Governo liberou R$ 2,5 bilhões em emendas nos últimos cinco dias. Só na segunda-feira, o Ministério da Saúde, comandado pelo médico sul-mato-grossense Luiz Henrique Mandetta, liberou R$ 920 milhões para 25 estados. O Midiamax registrou que nenhum centavo foi destinado ao Estado.

Em entrevista ao site Jota e ao jornal Folha de São Paulo, o ministro admitiu que a liberação fazia parte do esforço para aprovar a Reforma da Previdência. A atual bancada repetiu o costume do passado, quando os deputados e senadores sempre votaram com o Governo sem exigir nada em troca para MS. O pior é que todo dia prefeitos reclamam da falta de recursos e doentes morrem por falta de medicamentos, leitos em hospitais e vagas em UTI.

O texto principal da Reforma da Previdência foi aprovado por 379 votos, com 131 deputados contra. Do Estado, a proposta teve apoio dos deputados Beto Pereira e Rose Modesto, do PSDB, Fábio Trad (PSD), Loester Trutis e Luiz Ovando, do PSL. O 6º voto foi de Tereza Cristina (DEM), que deixou o Ministério da Agricultura para garantir o voto a favor do Governo. Dagoberto e Vander votaram contra a proposta.

Já o destaque para tirar os professores da reforma não foi aprovado, apesar de ter obtido 265 votos contra 184. A bancada sul-mato-grossense se dividiu sobre a categoria. Dagoberto, Fábio Trad, Rose Modesto e Vander votaram pela manutenção das regras atuais aos professores, ou seja, concessão do benefício após 30 anos de contribuição para homens e 25 anos para mulheres.

Já Beto Pereira, Dr. Ovando, Trutis e Tereza Cristina votaram pela mudança, a regra aprovada, de que só seja concedida aposentadoria aos professores a partir dos 60 anos de idade e 30 de contribuição para, enquanto as professoras terão aos 57 de idade e 25 de contribuição.

Dagoberto e mais três de MS votaram a favor dos professores, pela manutenção das regras atuais (Foto: Divulgação)

A Câmara dos Deputados retoma a votação dos destaques nesta quinta-feira. O presidente do legislativo, Rodrigo Maia (DEM), chorou após a aprovação do texto principal e atribuiu a vitória ao polêmico Centrão. Ele pretende votar a proposta em segunda votação até sábado, antes do recesso do meio do ano.

Entre os pontos polêmicos a serem votados hoje está a aposentadoria especial para policiais. Estados e municípios devem ficar de fora da reforma aprovada pelos deputados. Isso quer dizer que as regras só valerão para os servidores estaduais e municipais caso o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) e cada um dos 79 prefeitos aprovem as propostas nos seus respectivos legislativos.

Atualmente, os funcionários públicos podem requerer a aposentadoria por tempo de serviço. A principal mudança é a fixação da idade mínima, como 65 anos para os homens e 62 para as mulheres.

Todos vão ter o teto como regra. A única exceção serão os atuais deputados e senadores que aderiram ao plano especial, que garante aposentadoria integral de R$ 33,6 mil e apenas com 35 anos de contribuição.