O Ministério Público Eleitoral encontrou indícios da emissão de notas fiscais frias para desviar dinheiro do financiamento eleitoral na campanha a deputada estadual Gilsy Arce (PRB). Em apenas um dos casos, o prestador de serviço teria emitido R$ 30 mil em notas, mas só recebeu R$ 6 mil, ficando comprovando o desvio de R$ 24 mil.

O inquérito criminal é conduzido pelo promotor Marcos Alex Vera de Oliveira, da 53ª Zona Eleitoral da Capital, que cumpriu, com o apoio da Polícia Federal, três mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira (23). A suspeita é de que houve o mesmo esquema dos candidatos laranjas envolvendo candidatos do PSL, do presidente Jair Bolsonaro, em Minas Gerais e Pernambuco.

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Só que em Mato Grosso do Sul o escândalo atinge a candidata a deputada estadual Gilsienny Arce Munhoz, a Gilsy Arce. Ela recebeu R$ 761.589,50 para a campanha no ano passado, mas só conquistou 491 votos.

Presidido pelo pastor Wilton Melo Acosta, o PRB repassou R$ 760 mil para a funcionária pública fazer campanha. Agora, o MPE apura desvio de recursos e inserção de informações falsas na prestação de contas.

O Jacaré apurou que um prestador de serviço emitiu duas notas no valor de R$ 15 mil cada para a campanha de Gilsy. No entanto, ele só recebeu R$ 6 mil e teria devolvido R$ 24 mil para a coordenação da campanha.

Outro empresário confirmou que emitiu valor cinco vezes superior ao do serviço. O promotor apura quem se beneficiou do suposto esquema de desvio de dinheiro. Uma das possibilidades é que a verba tenha sido usada na campanha de outro candidato do partido.

Outro alvo da investigação é o grande número de parentes de candidatos e coordenadores de campanha que foram contratados.

Gilsy contratou 150 cabos eleitorais. O coordenador da campanha foi Edson Bobadilha, que recebeu R$ 53,9 mil. Quatro cabos eleitorais tinham o mesmo sobrenome do chefe da campanha e receberam R$ 7,5 mil para atuar como cabos eleitorais nas eleições de 2018.

Outros ex-comissionados na Funtrab foram contratados por Gilsy. Dorineu Martins Afonso ganhou R$ 54 mil, enquanto João José Sales Filho teve R$ 15,3 mil para serviço contábil.

O filho de Wilton Acosta, Lucas Rael Alves Acosta, recebeu R$ 4,9 mil para trabalhar como cabo eleitoral da funcionária pública.

A legislação eleitoral não veta a contratação de parentes. No entanto, o MPE apura se houve a efetiva prestação do serviço ou apenas foram usados como cabos eleitorais para desviar o dinheiro.

O promotor Marcos Alex não quis se manifestar sobre o inquérito para não prejudicar o andamento das investigações.

Presidente de PRB vê preconceito contra a mulher em investigação

O presidente regional do PRB, Wilton Acosta, saiu em defesa da candidata derrotada Gilsy Arce e acusou a investigação da denúncia de ser sexista. “Acho que é preconceito contra as mulheres”, acusou, em entrevista ao site Campo Grande News.

“O que eu posso dizer é que ela foi candidata, fez campanha nas redes sociais, nas ruas, eu mesmo a vi em eventos eleitorais. Não tivemos problema na candidatura dela”, garantiu. O presidente regional da sigla disse que a candidata demonstrou interesse na disputa, passou por todos os tramites como qualquer outro candidato.

Ele explicou que não é fácil preencher a cota mínima de 30% de candidatas nas chapas. “Não é tão simples encontrar mulher para ser candidata, é uma dificuldade notória. Nós trabalhamos com todas as nossas candidatas, ela é uma das pessoas”, disse.