A redução da tarifa mínima em 50% não impediu Águas de fechar 2018 com lucro de R$ 148 milhões (Foto: Arquivo)

O faturamento da Águas Guariroba teve queda de apenas 3,54% com a redução de 50% na tarifa mínima em 2018, conforme balanço publicado nesta terça-feira (2). A empresa teve lucro de R$ 148 milhões no ano passado, valor expressivo para Mato Grosso do Sul e período de grave crise econômica.

Apesar do lucro milionário da companhia, os 336 mil clientes vão pagar a conta pelo fim da tarifa mínima a partir deste ano. Conforme acordo firmado pelo prefeito Marquinhos Trad (PSD), a conta de água terá reajuste extra de 11,83% deste ano até 2021 e a tarifa de esgoto passará dos atuais 70% para 80% até 2026.

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Além disso, todos os usuários estão pagando taxa fixa para a Águas. Independente de consumo, os imóveis vão pagar de R$ 12 (residencial) até R$ 60,72 (público). Na prática, Marquinhos fatura politicamente, mas ressuscita a tarifa mínima com outra nomenclatura.

Os resultados de 2018 mostram que o prefeito não poderia penalizar tanto os consumidores. Além do reajuste pela inflação, previsto em contrato, a tarifa de água e esgoto terá reajuste mínimo de 3,9% em 2020 e mais 3,6% em 2021. Neste ano, o aumento extraordinária foi de 3,9%.

Águas em 2018
ReceitaR$ 551,5 mihões (-3,54%)
LucroR$ 148,018 mihões (-14,5%)
Dívida líquidaR$ 667,3 milhões
Perdas19,60%
Inadimplência 2,50%
Clientes336.048
Só pagam esgoto 219.950

De acordo com o balanço, a redução de 50% na tarifa mínima, de 10 para cinco metros cúbicos, teve impacto no faturamento. Esta foi a principal causa da redução de 3,54% na receita bruta, de R$ 571,841 milhões para R$ 551,543 milhões.

O total da água faturada teve queda de 7,5%, de 56,9 milhões para 52,6 milhões de metros cúbicos. Já com o esgoto, que representa 70% da conta de água, o impacto foi menor, queda de 5,9%, de 37,9 milhões para 35,6 milhões de metros cúbicos.

O decreto do município causou queda de 14,5% no lucro da concessionária, de R$ 173,088 milhões, em 2017, para R$ 148,014 milhões no ano passado.

No entanto, as queixas com o fim da tarifa mínima devem ficar no passado. A taxa fixa criada pelo prefeito Marquinhos Trad deve garantir faturamento de, no mínimo, R$ 48,3 milhões por ano à empresa. Este montante representa quase 10% do faturamento bruto do ano passado.

 O cálculo só considera o preço mínimo a ser pago pelas imóveis residenciais de R$ 12. O comércio paga R$ 18,20, enquanto a indústria desembolsa R$ 28,61, contra R$ 60,72 do poder público.

Marquinhos criou a taxa única de R$ 12 a R$ 60, mas espera ter bônus político com o fim da tarifa minima de 10 metros cúbicos (Foto: Arquivo)

Além disso, houve o reajuste anual em dezembro e o extra em janeiro deste ano. Outra medida é o aumento da tarifa de esgoto de 70% para 75% a partir de 2022.

Por outro lado, os 25 mil servidores públicos municipais sofrem com a defasagem nos salários. O trabalhador comum terá o impacto na mudança do salário mínimo, que não terá mais ganho real.

Em resumo, enquanto a companhia desfruta os lucros milionários, o brasileiro continua pagando a conta.