Ex-senador sofre mais um revés ao tentar retornar à política (Foto: Arquivo)

O ex-senador Delcídio do Amaral (PTC) voltou a figurar ao lado de notáveis do Senado, como os senadores Renan Calheiros e Romero Jucá, do MDB, mas em novo inquérito da Polícia Federal. O ex-petista é citado como destinatário de propina de R$ 500 mil da Odebrecht em 2012.

No total, conforme o ex-vice-presidente de Relações Institucionais da companhia, Cláudio Melo Filho, foram pagos R$ 8,5 milhões em propinas pela aprovação do Projeto de Resolução do Senado 72/2010, que uniformizava a concessão de incentivos fiscais pelos estados em portos a produtos importados. A medida ficou conhecida como “guerra dos portos”.

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O pagamento da propina ao senador cassado em 2012 foi citado pela primeira vez em abril do ano passado. Na ocasião, conforme o delator, Delcídio reclamou que foi o único a ser beneficiado pela propina e acabou ganhando R$ 500 mil.

O caso foi ressuscitado nesta quarta-feira pela colunista Andréia Sadi, do G1, que deu detalhes do inquérito conduzido pela PF para apurar a denúncia. A corporação pediu mais prazo ao ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, para investigar a denúncia.

Os policiais querem descobrir quem é Glutão, que recebeu R$ 3 milhões em maio de 2012. O atual líder do Governo, Romero Jucá, recebeu R$ 3 milhões, o ex-senador Gim Argello, mais R$ 1 milhão, e Renan, R$ 1 milhão. Delcídio recebeu o menor valor porque o projeto já tinha sido aprovado e só acabou levando a propina porque queixou-se formalmente a Odebrecht.

A PF espera cruzar as informações e documentos colhidos na Operação Armistício, realizada em 8 de novembro deste ano em endereços de Renan, Jucá e Argello.  Só que a prorrogação do inquérito depende de parecer da procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

Delcídio negou, por meio da assessoria, que tenha recebido vantagens indevidas em 2012, quando ocorreram as eleições municipais. Ele teria frisado que não tem nada a ver com esse rolo.

“Na realidade, o pedido do Delcídio para as campanhas de três prefeitos do Mato Grosso do Sul foi atendido com doações regulares diretamente a esses prefeitos. Portanto, não existe essa história de que o Delcídio recebeu R$ 500 mil em dinheiro em São Paulo”, disse a assessoria ao blog do G1.

Não é a primeira vez que Delcídio é citado em delação da Odebrecht. Ele é acusado de ter recebido R$ 5 milhões em caixa 2 para a eleição de 2014, conforme delação do então presidente de Infraestrutura da Odebrecht, Benedicto Barbosa da Silva Júnior.

Outro delator o acusou de cobrar R$ 4 milhões da UTC para incluí-la no projeto da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Outra empresa teria pago US$ 1 milhão ao ex-petista, que se tornou réu neste caso na Operação Lava Jato.

O novo inquérito é apenas mais uma má notícia para Delcídio, que tentou retomar a carreira política neste ano, mas ficou em 7º lugar na disputa do Senado. O Ministério Público Federal analisa notificação da Receita Federal que pode levar ao pedido de rescisão da delação premiada do ex-senador.

Delcídio filiou-se ao PTC e espera sepultar as denúncias para ganhar musculatura política nas eleições de 2020, onde poderia até sonhar em disputar a prefeitura da Capital.