Rodrigo é acusado de ser o segundo na hierarquia da suposta organização criminosa (Foto: G1/Arquivo)

O advogado Rodrigo Souza e Silva, 29 anos, filho do governador Reinaldo Azambuja (PSDB), teve R$ 11,531 milhões em movimentações suspeitas, segundo o COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). A informação consta do despacho do ministro Felix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça, que decretou a prisão do herdeiro do tucano na Operação Vostok.

A Polícia Federal considera Rodrigo como braço direito do pai e o segundo na hierarquia da suposta organização criminosa – investigada no inquérito 1.190, aberto pelo STJ para apurar o pagamento de R$ 67,7 milhões em propinas pela JBS ao governador do Estado.

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Com a quebra do sigilo bancário, a investigação identificou R$ 40,2 milhões em movimentações atípicas nas contas de Reinaldo. Ele ainda teria comprado oito imóveis em agosto de 2016 por R$ 2,8 milhões e transferido R$ 8,3 milhões para a Taquaruçu Agropecuária, empresa de Maracaju e um dos 41 alvos de mandado de busca e apreensão na quarta-feira.

Preso desde a tarde de quarta-feira, quando se apresentou ao lado do pai, Rodrigo é acusado de ser o segundo na hierarquia da ORCRIM e de integrar o núcleo duro ao lado do corretor de gado José Ricardo Guitti Guímaro, o Polaco, e os empresários Ivanildo da Cunha Miranda, Antônio Celso Cortez e João Roberto Baird, o Bil Gates Pantaneiro.

Conforme o ministro, o advogado definiu os emissários que deveriam receber o dinheiro em espécie pago pela JBS. De acordo com o funcionário da companhia, Demilton de Castro, um dos indicados para receber dinheiro por Rodrigo foi Cortez.

Com a quebra do sigilo bancário, o COAF, considerado o xerife do mercado financeiro, promoveu devassa nas contas e constatou R$ 11.531.129,45 em “movimentações suspeitas” de Rodrigo Souza e Silva. Fischer não menciona o período, mas deve ter ocorrido no mesmo do pai, entre abril de 2016 e o final do ano passado.

Além do dinheiro, o ministro chamou atenção para o suposto plano cogitado por Rodrigo para matar Polaco, que ameaçava fazer delação premiada. No ano passado, uma quadrilha teria sido contratada para recuperar a propina de R$ 270 mil que seria paga ao corretor.

Trecho do despacho de 35 páginas do ministro Felix Fischer em que aponta a movimentação suspeita nas contas de Rodrigo

Nesta sexta-feira, o jornal Correio do Estado confirma que Polaco realmente propôs fazer delação premiada e protocolou o pedido no Ministério Público. No entanto, ele desistiu porque o promotor Marcos Alex Vera de Oliveira, que apura o suposto roubo da propina, não teria concordado com os benefícios solicitados.

O periódico ainda confirma que houve as ameaças de morte e acrescenta que o corretor passou a sentir coagido pelo promotor. Em agosto deste ano, ele desistiu da delação e denunciou Marcos Alex.

Só que Polaco mentiu na representação ao revelar que nunca foi convocado oficialmente para depor. O Jacaré divulgou na época que houve decisão da Justiça para condução coercitiva dos envolvidos no roubo da propina e os mandados foram cumpridos pela Policia Federal.

Com a prisão preventiva decretada pelo STJ, Polaco não foi localizado pela PF e segue foragido. Os outros 13 estão presos na Capital.

Em entrevista à TV Morena, Reinaldo defendeu o filho das acusações. Ele destacou que Rodrigo nunca negociaria com bandido, no caso, os donos da JBS, que o acusam de receber quase R$ 70 milhões em propinas.

O governador criticou a Operação Vostok, realizada a 20 dias da eleição. Ele insinuou que o ministro do STJ usou a operação para desgastá-lo politicamente e influir na disputa eleitoral.

Preso na operação, o deputado estadual José Roberto Teixeira, o Zé Teixeira (DEM), informou, por nota, que não cometeu ilegalidade e só venda gado há 50 anos. Ele ressaltou que respeita a decisão judicial, mas também vê a ação com fins eleitorais, já que disputa a reeleição.

Apartamentos de Rodrigo e Reinaldo foram alvos de mandados de busca e apreensão (Foto: Campo Grande News)