Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Tereza Cristina ignora alerta de que mudança pode colocar mais veneno no prato do brasileiro (Foto: Arquivo)

Defensora da modernização da atual lei dos agrotóxicos, a deputada federal Tereza Cristina (DEM) se transformou na “musa da PL do Veneno” no Congresso Nacional e alvo de campanha mundial de ambientalistas. Nesta semana, até o cantor Caetano Veloso aderiu à manifestação contra a democrata.

Ele publicou o Instagram, onde conta com 793 mil seguidores, a imagem da campanha: “A deputada Tereza Cristina quer colocar mais veneno na nossa comida”. A imagem já teve mais de 3,6 mil curtidas. Além disso, o músico faz um apelo para a democrata não colocar em votação o pacote defendido pela bancada ruralista.

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Sem fazer barulho em Mato Grosso do Sul, a encrenca transformou Tereza Cristina famosa em todo o País. Presidente da Frente Parlamentar de Agropecuária e da Comissão Especial do Projeto de Lei 6.299/2002, proposto há 16 anos por Blairo Maggi, atual ministro da Agricultura, ela defende a aprovação do polêmico pacote de 27 projetos de leis.

É mudança radical nas atuais normas brasileiras para liberar o uso de agrotóxicos no Brasil, já considerado um dos maiores produtores de alimentos com veneno do mundo. A proposta não enfrenta oposição apenas dos ambientalistas, mas do Ministério Público Federal e de pesquisadores da Fiocruz (Fundação Osvaldo Cruz).

A petição contra a votação do projeto já conta com mais de 330 mil assinaturas na internet.

Por outro lado, os ruralistas defendem a mudança para facilitar o registro, venda, transporte e utilização de agrotóxico na agricultura brasileira.

“Utilizamos apenas 9% do nosso território para plantar, gerar empregos e renda para o País. Buscar inovação e segurança pra nossa agricultura é o dever do legislador”, defende Tereza Cristina, que ignora a pressão para não colocar o pacote em votação na comissão especial.

No Twitter, a democrata citou frase do pesquisador da Unesp, Edivaldo Velini, para ressaltar a defesa da proposta. “Os produtos usados no controle de pragas e ervas daninhas na agricultura tropical brasileira, defasados, já não conseguem fazer o controle da praga”, publicou.

Não é a opinião de ambientalistas. ““Este pacote vai totalmente na contramão do que a sociedade quer. O que precisamos urgentemente é aprovar medidas e políticas para diminuir a quantidade de veneno no campo de forma gradual e responsável, e não aumentar cada vez mais o uso dessas substâncias. Como a gente já vêm mostrando, os agrotóxicos têm ido parar no nosso prato e colocam em risco a nossa saúde e a de nossas crianças. A quem interessa esse futuro?”, rebateu Marina Lacôrte, da campanha de Agricultura e Alimentação do Greenpeace.

Publicação de campanha contra a deputada sul-mato-grossense: até Caetano

Com a adesão de Caetano Veloso, a deputada sul-mato-grossense deve enfrentar a fúria de mais artistas, militantes em defesa do meio ambiente e pesquisadores.

No entanto, a deputada não se preocupa com a repercussão. Ela ignorou o próprio partido no ano passado, mesmo sendo líder do PSB, e votou a favor da Reforma Trabalhista. O caso foi semelhante ao episódio do senador Pedro Chaves  (PRB), que orientou a bancada a votar de um jeito e manifestou-se de outra. A única diferença é que Tereza tinha uma bancada significativa de deputados, enquanto o senador era líder dele mesmo.

Ela ainda votou duas vezes contra o Supremo Tribunal Federal julgar o presidente Michel Temer (MDB) pelos crimes de corrupção passiva, obstrução da Justiça e de chefiar organização criminosa.

Ex-secretária estadual de Produção nos dois mandatos do ex-governador André Puccinelli (MDB), Tereza está no primeiro mandato de deputada federal e a linha é defender os interesses da bancada ruralista.