João Afif Jorge, que foi coordenador da Agesul, vira réu em mais uma ação na Justiça (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

O engenheiro João Afif Jorge, 60 anos, virou réu por enriquecimento ilícito e improbidade administrativa por gastar R$ 1,897 milhão na compra de duas fazendas. As propriedades foram adquiridas em sociedade com o ex-secretário estadual de Obras, Edson Giroto, e o ex-deputado Wilson Roberto Mariano de Oliveira, o Beto Mariano.

Na denúncia feita com base nas provas colhidas na Operação Lama Asfáltica, da Polícia Federal, o Ministério Público Estadual pede a devolução de R$ 1,897 milhão, a perda da função pública, a suspensão dos direitos políticos pelo período de oito a 10 anos, o pagamento de multa civil de R$ 5,691 milhões e de indenização por danos morais de R$ 18,9 milhões.

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Em março, quando o promotor Marcos Alex Vera de Oliveira fez a denúncia, o juiz David de Oliveira Gomes Filho, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, já havia determinado o bloqueio do suposto dano ao erário. Agora, na quinta-feira passada, o magistrado aceitou a denúncia e o ex-coordenador de Suporte e Manutenção de Empreendimentos da Agesul se tornou réu nesta ação.

Pelo mesmo caso, Afif é réu por lavagem de dinheiro na 3ª Vara Federal de Campo Grande.

Conforme o promotor Marcos Alex, Afif autorizou o pagamento de operação tapa-buracos e pavimentação de um mesmo trecho como coordenador da Agesul.

Em 2013, por meio da filho de Beto Mariano, a médica Mariane Mariano de Oliveira Dornellas, Afif comprou a Fazenda Maravilha, em Corumbá. Ele teria pago R$ 1,461 milhão por um terço da propriedade. O restante dos R$ 4,3 milhões foi dividido entre Giroto e Mariano.

Os três compraram outra fazenda, a Vista Alegre, em Rio Negro. Este imóvel teve a participação de Fernando Giroto e cada um pagou R$ 432,5 mil.

No entanto, segundo a denúncia do MPE, Jorge não tinha rendimentos suficientes para comprovar a compra das fazendas, mesmo em sociedade. A conclusão é feita com base na quebra dos sigilos bancários e fiscal do engenheiro.

Giroto e Beto Mariano também foram denunciados pela compra dessas propriedades e tiveram os bens bloqueados em março deste ano. No inicio deste mês, o magistrado aceitou a denúncia contra Mariano, a filha e a esposa, Maria Helena.

Preso há 34 dias na Operação Lama Asfáltica, Giroto aguarda o pedido de relaxamento da prisão feito ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

 

João Afif alega falta de provas de corrupção

Na defesa apresentada à Justiça, João Afif Jorge alega que faltam provas sobre a suposta improbidade administrativa e enriquecimento ilícito. Ele frisa que a conduta ilícita é apenas presumida pelo promotor Marcos Alex.

Ele acusou o Ministério Público de cerceamento de defesa, porque sonegou provas consideradas essenciais  na fundamentação da ação de improbidade administrativa.

Outro argumento é de que o promotor “pinçou” as provas consideradas importantes para fundamentar a denúncia nos dados coletados pela PF na Operação Lama Asfáltica. Ele pediu a rejeição da denúncia.

Maior escândalo na história política de Mato Grosso do Sul, a Operação Lama Asfáltica apura desvios superiores a R$ 300 milhões e envolve personagens poderosos e influentes da política estadual, como o empresário João Amorim, preso desde o dia 8 de maio deste ano, Giroto e o ex-governador André Puccinelli (MDB).

Todos rechaçam as acusações e garantem que não cometeram irregularidades.