Dorsa morreu após passar mal em sauna. Por ser médico conceituado, morte levanta teorias da conspiração sobre queima de arquivo (Foto: Arquivo)

Um dos principais alvos da Máfia do Câncer, investigada há cinco anos na Operação Sangue Frio, o ex-diretor geral do Hospital Universitário, o médico José Carlos Dorsa Vieira Pontes, 51 anos, morreu, de forma misteriosa, ontem à noite em uma sauna no Jardim dos Estados. Com os bens bloqueados, ele era réu em nove ações, sendo quatro penais e cinco por improbidade administrativa.

Médico experiente e cardiologista conceituado, José Carlos pode ter morrido em decorrência de ataque cardíaco. Ao Campo Grande News, a Polícia Civil informou que também investiga outras duas hipóteses: suicídio ou overdose de medicamentos.

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Formado em 1989 pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Dorsa era professor da instituição e médico cardiologista do HU. Há exatamente cinco anos, em 19 de março de 2013, ele era diretor geral do hospital e foi um dos alvos da Operação Sangue Frio.

Na época, a investigação da Polícia Federal desvendou o esquema criminoso para desviar recursos públicos do HU e do Hospital do Câncer Alfredo Abrão, comandado por décadas pelo médico Adalberto Siufi.

As denúncias levaram ao afastamento de Dorsa, de Siufi e da então secretária estadual de Saúde, Beatriz Dobashi.

A conclusão da Operação Sangue Frio levou o Ministério Público Federal a protocolar nove ações contra Dorsa. Ele se tornou réu em quatro ações penais pelos crimes de fraudes em licitações, uso de documentos falsos e peculato.

Outras cinco ações por improbidade cobram a devolução de R$ 27,8 milhões aos cofres públicos. Em três delas, a Justiça decretou a indisponibilidade dos bens de Dorsa, de empresas e funcionários envolvidos no suposto esquema.

A primeira denúncia foi protocolada em 2014. Nesta, Dorsa foi acusado de fraudar a licitação para contratar a Cardioce Serviços, Comércio e Representações, da qual seria um dos sócios.

Outras quatro ações por improbidade foram protocoladas em 2015, como a contratação de empresa para fornecer alimentação de péssima qualidade, conforme a denúncia, aos doentes e funcionários do HU. Nesta, o MPF pediu o ressarcimento e o pagamento de multa no valor total de R$ 11,2 milhões.

Não houve nenhuma condenação e apenas uma das ações está na fase das alegações finais.

Na única ação julgada, referente ao fechamento da UTI Neonatal do HU, Dorsa foi inocentado. Em outubro de 2012, a unidade foi isolada por causa da suspeita de um caso de varicela. A UTI foi liberada para receber novos bebês em 29 de novembro do mesmo ano.

No entanto, para criar a situação de calamidade e forçar a contratação de uma empresa, conforme os procuradores federais e do trabalho, o HU, comandado por Dorsa, mantiveram a UTI Neonatal Fechada por mais 15 dias, até 14 de dezembro de 2012.

No mesmo período, Campo Grande enfrentava o caos por falta de leitos em unidades de terapia intensiva para receber recém-nascidos. No entanto, a Justiça considerou a denúncia improcedente no ano passado e absolveu todos os acusados.  MPF recorreu da sentença.

A morte do médico cardiologista suscitou a teoria da conspiração, de que pode ter sido vítima de queima de arquivo.

A família tem enfatizado que a morte teve causas naturais e o médico, apesar de ser cardiologista famoso, não soube identificar a gravidade dos sintomas.

Segundo o Campo Grande News, ele chegou à sauna com dores de cabeça e aparentando nervosismo. Havia sinal de pulsão em um dos braços.

A repercussão do caso vai exigir da Polícia Civil esforço maior para que não pairem dúvidas sobre a morte do ex-diretor geral do HU.