Paulo Siufi e Olarte sofreram desgaste com a Operação Coffee Break. O primeiro quase perdeu a reeleição de vereador. O segundo foi afastado do cargo (Foto: Arquivo)
O Órgão Especial do Tribunal de Justiça deve rejeitar a denúncia de corrupção passiva contra o deputado estadual Paulo Siufi (MDB), um dos 24 denunciados na Operação Coffee Break, que apontou golpe criminoso para cassar o mandato de Alcides Bernal (PP). No entanto, o próprio tribunal aceitou os mesmos indícios e afastou Gilmar Olarte (sem partido) do cargo de prefeito em 25 de agosto de 2015.
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A situação chega a ser surreal, como tudo no atual momento da política brasileira e sul-mato-grossense.
A Coffee Break se transformou no maior escândalo de corrupção da Capital, considerando-se as acusações feitas pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Comate ao Crime Organizado) em agosto de 2015.
Na ocasião, ao utilizar o compartilhamento de provas colhidas pela Polícia Federal na Operação Lama Asfáltica, o órgão, chefiado pelo promotor Marcos Alex Vera de Oliveira, concluiu que houve compra de votos dos vereadores e a articulação criminosa para cassar Bernal.
Foram divulgadas interceptações telefônicas do empresário João Amorim, dono da Proteco e poderoso nas gestões do MDB, cobrando o repasse para a Solurb, concessionária do lixo que tem entre os sócios o seu genro, Luciano Dolzan. Olarte também foi gravado articulando assumir o comando do Paço Municipal.
Com base nesses indícios, o Tribunal de Justiça determinou o afastamento de Olarte do cargo e a condução coercitiva de nove vereadores e três empresários para prestar depoimento ao Gaeco.
No mesmo dia, em outra ação, a 2ª Turma Cível do Tribunal de Justiça devolveu o cargo de prefeito a Bernal. Ficou a sensação, na época, de que a Justiça acabou sendo feita a tempo, já que o progressista voltou ao comando do município a tempo de concluir o mandato.
O Gaeco concluiu o inquérito, indiciou 24 pessoas e as denunciou à Justiça. Entre idas e vindas, o TJ acabou dividindo a ação, com Siufi ficando no Órgão Especial, já que tinha direito ao foro privilegiado, e a ação contra os demais encaminhada ao juiz da 6ª Vara Criminal, Márcio Alexandre Wust, que ainda não decidiu se aceita ou rejeita a denúncia.
O julgamento de Siufi começou ontem no Tribunal de Justiça. O relator, desembargador Júlio Roberto Siqueira Cardoso, votou pela rejeição da denúncia, porque não viu provas da prática de crime.
Outros sete desembargadores acompanharam o relator e votaram pela rejeição da denúncia: João Maria Lós, Carlos Eduardo Contar, Claudionor Miguel Abss Duarte, Dorival Renato Pavan, Fernando Moreira Marinho, Vladimir Abreu da Silva e Manoel Mendes Carli.
O julgamento só não foi concluído porque o desembargador Sérgio Martins pediu vistas do processo e deverá proferir o voto no início do mês de março.
Os advogados de defesa dos demais réus apostam que a decisão do Órgão Especial terá reflexo na decisão do juiz Márcio Wust, que poderá seguir o mesmo caminho e rejeitar a ação penal contra os outros 23 investigados.
Na manhã de hoje, de acordo com o Campo Grande News, Siufi festejou o resultado do julgamento.
“A verdade está vindo à tona”, ressaltou o emedebista, que deverá disputar a reeleição em outubro deste ano.
O parlamentar até atribuiu à Coffee Break o seu desgaste na opinião pública, que quase lhe custou o mandato de vereador. Em 2016, ele ficou com 2,6 mil votos, contra 11 mil votos em 2012. Aliás, venceu por dois votos sobre o correligionário Wilson Sami (MDB), com o placar de 2.610 a 2.608 votos.
Siufi assumiu a vaga de deputado estadual após a renúncia de Marquinhos Trad (PSD) para assumir a prefeitura.
Católico praticante e médico, Siufi diz que a verdade está vindo à tona. No entanto, denúncia quase lhe custou o mandato de vereador, que só ganhou por dois votos em 2016 (Foto: ALMS/Victor Chileno)
Se a denúncia for rejeitada, como fica a situação de Olarte, que acabou afastado do cargo pela operação em 2015? Teria direito à indenização?
A denúncia contra o ex-prefeito será julgada por Wust, junto com outros políticos influentes e poderosos, como o ex-governador André Puccinelli, o ex-prefeito Nelsinho Trad (PTB) e o ex-presidente da Câmara, Mario Cesar de Oliveira (MDB).
No entanto, se for considerado inocente neste caso, qual o legado de toda a situação de 2015? Fica a ferida causada pelos danos causados a políticos ou a sensação de impunidade?
Ex-prefeito enfrenta segundo julgamento por corrupção
Começou nesta quinta-feira, na 1ª Vara Criminal de Campo Grande, o julgamento por lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito do ex-prefeito Gilmar Olarte e da ex-primeira-dama, Andréia Olarte. As audiências para ouvir as testemunhas e os réus vão se estender até o dia 6 de março deste ano.
Olarte, a esposa, o corretor de imóveis Ivamil Rodrigues de Almeida, o empresário Evandro Farinelli e a mulher, Christiane Frinelli, foram denunciados na Operação Pecúnia, realizada pel Gaeco em 15 de agosto do ano passado.
Conforme denúncia do procurador-geral de Justiça, Paulo Cezar dos Passos, Olarte e a esposa adquiriram R$ 4,1 milhões em imóveis em nomes de laranjas. No entanto, ele pagou R$ 2,863 milhões. Os pagamentos dos imóveis, que inclui um lote e a construção de mansão no Residencial Damha, em Campo Grande, foram suspensos quando ele foi afastado do comando da prefeitura por determinação da Justiça.
Olarte já foi condenado pelo Tribunal de Justiça a oito anos e quatro meses de prisão, mas aguarda o julgamento do recurso em liberdade.
Olarte e Andréia começam a ser julgados hoje por enriquecimento ilícito e ocultação de bens (Foto: Arquivo)