Odacir Corrêa, vestido de camiseta branca, prestou depoimento em março do ano passado (Foto: Arquivo/Correio do Estado)

 

O julgamento da organização criminosa chefiada pelos barões do tráfico de drogas está parado em decorrência da Claro, multinacional mexicana de telefonia, se negar a cumprir ordem judicial. O deboche da companhia irritou o juiz federal, que deu prazo de 24 horas para fornecer a relações das ligações telefônicas da quadrilha nos últimos três anos sob pena de multa diária de R$ 250 mil e abertura de inquérito policial contra o diretor por desobediência.

Os irmãos Odir Fernando, 33 anos, Odacir, 35, e Odair Corrêa dos Santos, 42, estão presos desde meados de 2016, quando ocorreu a Operação Nevada, da Policia Federal. O grupo criminoso é acusado de tráfico internacional de cocaína.

Eles chegaram a ser ouvidos pelo juiz federal Odilon de Oliveira em março do ano passado. No entanto, o processo está concluso para sentença, mas os irmãos recorreram ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região para anexar ao processo dados das ligações telefônicas.

A instância superior acatou a pedido e determinou, em setembro do ano passado, para que a Claro, Vivo e Embratel repassassem as informações solicitadas. O juiz chegou a emitir novo despacho em novembro contra a companhia mexicana, fixando multa de R$ 1 mil em caso de descumprimento.

Na semana passada, a defesa dos acusados recorreu novamente à Justiça para pedir a soltura. A alegação principal é que o processo está demorando muito para ser concluído e o atraso fere o princípio constitucional. Este argumento é o mesmo dos investigados na Operação Lama Asfáltica para não serem presos,  de que a investigação se arrasta por muito tempo sem denúncia.

Só que no caso dos irmãos Corrêa, houve denúncia e o processo está concluso para sentença. No entanto, para postergar a sentença, os réus recorreram para pedir a inclusão dos dados telefônicos.

Como só falta os dados da Claro, o juiz Diogo Ricardo Góes de Oliveira, que responde pela 3ª Vara Federal, decidiu jogar duro com a concessionária. Ele deu prazo de 24 horas para o envio das listas das ligações feitas pelo grupo nos anos de 2014, 2015 e 2016.

Caso a multinacional ignora a ordem judicial mais uma vez, ele fixou multa de R$ 250 mil por cada dia útil de descumprimento e a abertura de inquérito pela Polícia Federal por desobediência contra o diretor da telefônica.

Os irmãos tiveram vários confiscados pela Justiça, como uma mansão no Bairro Chácara Cachoeira, na Capital, avaliada em R$ 3 milhões.

Mansão que chegou a ser lacrada pela PF por determinação da Justiça e estaria avaliada em R$ 3 milhões (Foto: Arquivo/Campo Grande News)