Militares interditam via pela terceira vez para acabar com vazamento de água em cruzamento (Foto: Antonio Marques)

A fama do Exército Brasileiro saiu chamuscada depois da obra milionária para implantar o Corredor Sudoeste, orçada em R$ 24 milhões, do PAC de Mobilidade Urbana. Além de pagar mico na primeira obra urbana, os militares não cumpriram o prazo, realizaram um serviço considerado horrível e ainda criaram armadilhas na Rua Brilhante, o surgimento de buracos em áreas recapeadas, que ainda nem foram inauguradas.

Firmado na gestão de Alcides Bernal (PP), o convênio chegou a ser celebrado pela população devido à credibilidade das Forças Armadas em meio à onda de denúncias de corrupção contra as autoridades civis.

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O início das obras, em 6 de fevereiro do ano passado, prometia um marco histórico para Campo Grande e para o CMO (Comando Militar do Oeste). Os generais prometiam os equipamentos mais modernos do mundo. O general Gerson Menandro Garcia de Freitas, comandante do CMO, propagou que os operários da obra passariam pela unidade mais capacitada de engenharia do Exército, localizada no Triangulo Mineiro.

Buraco em trecho recapeado surpreendeu motoristas (Foto: Antonio Marques)

Para infelicidade do campo-grandense, tudo não passou de lorota. A obra de recapeamento das ruas Guia Lopes e Brilhante anda a passos de tartaruga – não há coisa mais devagar na cidade.

Não é apenas o ritmo que irrita os moradores, comerciantes e usuários da via. Os militares do 9º Grupamento Logístico, importados de Cuiabá (MT), fazem uma obra que deixa a desejar em todos os detalhes.

A parte recapeada tem trepidações. Motoristas sentem poucas diferenças entre a Rua Brilhante recapeada e a Avenida Bandeirantes tomada por remendos no asfalto.

Não é apenas isso. Entre uma área recapeada e outra, a Brilhante tem imensas crateras, que obrigam o motorista a ter atenção redobrada para não perder o pneu ou se envolver em acidentes. É trágico o resultado até o momento.

Nesta terça-feira, o secretário adjunto de Infraestrutura, Ariel Serra, anunciou que o Exército não vai terminar a obra. Os militares vão gastar o prazo de 24 meses para executar um terço do projeto, apenas o recapeamento das ruas Brilhante e Guia Lopes.

Para tentar cumprir o projeto original, a prefeitura vai licitar outros dois trechos, a Avenida Bandeirantes (3,9 quilômetros) e as avenidas Gunter Hans e Marechal Deodoro.

O Exército vai receber R$ 6,5 milhões. Oficialmente, a culpada pelo atraso é a Águas Guariroba, detentora da concessão desde o ano 2000, que não forneceu o mapa atualizado dos dutos de água e esgoto nas vias. Somente em um cruzamento, os militares foram obrigados a refazer o serviço três vezes devido ao vazamento dos dutos antigos.

No cruzamento da Rua Guia Lopes com a Avenida Salgado Filho, Exército faz enésima intervenção para corrigir problemas na pavimentação (Foto: Antonio Marques)

“Não é apenas o recapeamento. É muito mais complexo.  Envolve drenagem, inclusive em ruas adjacentes como a José Paes de Faria, Salgado Filho, além de boca de lobo, fiação subterrânea semafórica e corredor com material asfáltico mais resistente”, justificou Serra, sobre a demora do Exército em concluir a obra.

O investimento de R$ 149 milhões é do Governo Federal e prevê a modernização do sistema de transporte coletivo da Capital, que segue arcaico, ruim e caro.

O Exército prometeu colocar 280 militares para tocarem a obra, mas menos de 10% trabalharam na execução do serviço.

O problema é que o mico não ficou apenas com as Forças Armadas. A sociedade sentiu na pele o serviço mal feito. Os militares vão gastar dois anos para fazer o trabalho que deveria ser feito em oito meses.

Com o resultado de Campo Grande, o mais recomendável é que os batalhões de logística fiquem longe do perímetro urbano.

O Jacaré tentou falar com o assessoria do CMO ontem à tarde, mas não obteve contato.

Forças Armadas prometeram o que existia de mais moderno em equipamentos e maquinários para requalificar via, mas motorista não viu nada de extraordinário (Foto: Antonio Marques)

Administração Trad mantém guerra contra Águas

Não convidem para a mesma festa os representantes do município e da concessionária de água e esgoto. O último embate entre a prefeitura e a Águas Guariroba é a desatualização do mapa da rede de água.

– em outubro, Marquinhos Trad baixou decreto reduzindo a tarifa mínima na conta de água de 10 para cinco metros cúbicos neste ano e zero em 2019. A concessionária exigiu aumento extra, mas o Tribunal de Contas vetou.

A empresa suspendeu o decreto na Justiça, mas Marquinhos recorreu e garantiu a redução de 50% na conta de água.

Ontem, o secretário adjunto de Infraestrutura, Ariel Serra, responsabilizou a concessionária pelo atraso nas obras de requalificação da Rua Brilhante. Devido ao não saber onde ficam os dutos de água, os militares estão trabalhando no escuro.

Apesar que o Exército corrigiu um vazamento no mesmo local três vezes.

A Prefeitura também já culpa a Águas pelo atraso no projeto Reviva Centro, que prevê a revitalização da Rua 14 de Julho. Ariel chegou a destacar que a empresa não teve competência para atualizar o mapa, já que está no comando do sistema há 18 anos.

Em nota, divulgada pela TV Morena, a Águas negou que o mapa esteja desatualizado.