Postos estão tendo prejuízos ao segurar preços para não perder clientes (Foto: Arquivo)

A acirrada concorrência entre os postos segurou o preço dos combustíveis em Campo Grande, mas reduziu o lucro dos empresários em até 20%. No entanto, quando decidirem por fim à defasagem, o preço médio da gasolina pode ter salto de 16,78%, passando de R$ 3,678 para R$ 4,29.

O aumento é reflexo da atual política adotada pelo presidente da República, Michel Temer (PMDB), de repassar os valores do mercado internacional ao consumidor para evitar prejuízos para a Petrobras, presidida pelo tucano Sérgio Parente.

Nos últimos 30 dias, os donos de postos não repassarem ao consumidor os reajustes aplicados pela Petrobras e pelo Governo estadual na pauta fiscal. No entanto, quando eles não conseguirem mais segurar o valor, o repasse ao consumidor terá efeito de uma bomba, com o aumento podendo chegar a 20%.

De acordo com a pesquisa de preços realizada pela ANP (Agência Nacional de Petróleo), a margem de venda da gasolina teve queda de 16,78% nos últimos 15 dias, de R$ 0,417 para R$ 0,347. Essa defasagem tem mantido o valor em R$ 3,678.

No entanto, quando o empresário decidir repassar o aumento ao consumidor final, o custo médio da gasolina deve saltar dos atuais R$ 3,678 para R$ 4,29. O menor valor oscilará de R$ 3,499 para R$ 4,08, enquanto o maior pode chegar a R$ 4,43.

Inicialmente, o impacto pode ser maior, porque os estabelecimentos corrigem o preço sem a promoção. Isso significa que o litro pode chegar a custar em torno de R$ 4,29, no mínimo, e só depois começa a cair graças a concorrência.

A defasagem é maior no preço do etanol, de 20%. Em 30 dias, o setor reduziu o lucro de R$ 0,666 para R$ 0,53.

Se o aumento fosse repassado ao consumidor, o álcool estaria custando R$ 3,69, mais que a gasolina. No entanto, a concorrência até reduziu o preço médio no Estado, de R$ 3,128 para R$ 3,076.

Em Campo Grande, o preço mínimo do etanol pode saltar dos atuais R$ 2,99 para R$ 3,57, enquanto o máximo pode chegar a R$ 3,77. O custo médio ao consumidor pode ter salto de R$ 3,082 para R$ 3,67.

A alta nos combustíveis penaliza o consumidor brasileiro. No entanto, graças a esta política, Michel Temer tem garantido altas consecutivas nas ações da Petrobras na bolsa de valores.

A nova política agrada ao mercado, que considera a melhor para a petrolífera, que evita perda para os acionistas.

Esta prática foi adotada até 2002, na gestão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), e foi uma das causas da derrota do candidato tucano, José Serra, para o então metalúrgico, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Além da gasolina e do etanol, a nova fórmula tem encarecido o gás de cozinha e o óleo diesel.

Outra política de Temer que mexeu no bolso do consumidor é que permite a prática de preços diferentes para os produtos pagos em dinheiro e no cartão de crédito. O custo ficou mais caro para quem estava acostumado a usar o cartão para todas as compras e pagamento de contas.

Temer agrada ao mercado, mas penaliza os demais brasileiros com preços altíssimos