Após boato, Marquinhos recontrata colunista e consolida gestão que premia o mau servidor

Voltei: colunista social volta com salário menor, mas volta à administração de Marquihos: prefeito acha normal matar trabalho para pular o carnaval e ganhar R$ 8 mil por mês

Nesta segunda-feira, o prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad (PSD), oficializou a recontratação do colunista social Dácio Corrêa Piedade, 74 anos, que se demitiu em fevereiro deste ano após faltar ao trabalho para pular o Carnaval no Rio de Janeiro. A medida consagra o estilo da atual administração, de premiar os maus funcionários e garantir cargos para derrotados nas eleições do ano passado.

Curiosamente, a recontratação de Dácio ocorreu logo após o colunista ser vítima de boatos de que estaria recebendo salário do município sem trabalhar. Indignado com a nota publicada no Facebook, ele ameaçou com processo e o autor da façanha, Ronaldo Gaeta, pediu desculpas por espalhar a mentira.

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Colunista falta ao trabalho para pular Carnaval no Rio

Professor é acusado de cobrar dízimo de subordinados em secretaria

Dácio assume o cargo de assessor-chefe da Secretaria Municipal de Assistência Social, no lugar de Cristina de Matos Oliveira, que era lotada na Secretaria Municipal de Governo e Relações Institucionais. Não se sabe se a função mudou de pasta ou houve erro na publicação desta segunda-feira.

Cristina assume o cargo de coordenadora do Centro Regional de Assistência Social João Renato Guedes.

O colunista terá salário de R$ 4,6 mil por mês, metade do que recebia como coordenador do Centro de Múltiplo Uso Picolé, no Conjunto Estrela do Sul.

Famoso carnavalesco na cidade, Dácio se envolveu em um escândalo ao matar serviço para viajar ao Rio de Janeiro, onde pularia o Carnaval, em fevereiro deste ano. Na época, ele mentiu ao jornal Midiamax de que estava em reunião no local de trabalho.

Na semana passada, apesar das evidências, Marquinhos disse, em entrevista, que Dácio não cometeu nenhuma irregularidade. Para o chefe do Executivo, não é errado o funcionário receber R$ 8 mil por mês e ainda gazetear no Rio.

Dácio, que foi candidato a vereador no ano passado e recebeu122 votos, não é caso único.

Outro cabo eleitoral de Marquinhos foi “promovido” após ser acusado de irregularidades. O professor Wilson Manoel Dias Lands foi denunciado por cobrar “dízimo” de R$ 50 a R$ 200 dos funcionários da Secretaria Municipal de Educação.

Após o caso ser divulgado pelo site O Jacaré, em 27 de julho deste ano, a primeira-dama Tatiana Trad e a vice-prefeita, Adriane Lopes (PEN), fizeram uma tarde de reunião para discutir o assunto com a secretária municipal de Educação, Ilza Mateus.

Lands deixou a função de chefe do Divisão de Esporte, Arte e Cultura da Semed. No entanto, ele não foi obrigado a devolver o valor cobrado dos subordinados.

Em meados de agosto, Wilso Lands assumiu um novo desafio na Subsecretaria Municipal de Políticas para a Juventude.

Em postagem no Facebook, o jovem comemorou a nova função designada pelo prefeito. “Um Novo Desafio na Subsecretaria de Políticas Para Juventude de Campo Grande com Fé e Trabalho 😃 Avisa que eu estou de Pé, Com minhas forças redobradas, Porque quanto mais lutarem pra tentar me derrubar, O meu Deus me põe de pé”, celebrou.

A mudança valeu apena. Segundo o Portal da Transparência, ele recebeu R$ 7,5 mil no mês passado, contra R$ 6,9 mil na Secretaria de Educação.

Depois de denúncia, Lands não foi investigado e ainda passou a receber salário maior. Ele atribuiu a “graça” a Deus, que o mantém forte diante daqueles que o querem derrubar

Outra polêmica são os cargos de subprefeito de Rochedinho e Anhanduí. De acordo com o Correio do Estado, não há estrutura para trabalho. Os dois só oneram os cofres públicos, porque é mais um cargo com alto salário pago pelo contribuinte. Eles recebem R$ 8,4 mil por mês.

O subprefeito de Anhanduí, professor Ernesto Francisco dos Santos, é alvo de abaixo-assinado dos moradores do distrito. Foram 475 assinaturas pedindo a destituição.

Em reunião com algumas lideranças do local, Marquinhos surpreendeu com a justificativa para não destituir o sub. Ele contou que Ernesto comprou um sofá para a mãe nas Casas Bahia e não poderia destituí-lo antes de quitar o carnê.

Como não poderia deixar de ser, o assunto virou piada em Anhanduí.

Até dá para rir, se não fosse um porém nesta história, a de que esta festa toda é bancada pelo contribuinte, que vem sofrendo para pagar os impostos em dia em meio a esta grave crise e manter os “bons funcionários”, no estilo Marquinhos Trad.

1 Comment

  1. Lázaro Bonifácio da Silva

    25/09/2017 at 16:06

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