Quando deputado, o atual prefeito foi crítico contundente da exploração do consumidor com as altas contas de luz. Agora, arrocha sem dó

A conta de luz vai ficar mais cara em julho por conta da cobrança retroativa da Cosip (Contribuição para Manutenção do Serviço de Iluminação Pública). O contribuinte vai pagar a conta da falta de responsabilidade dos vereadores, que suspenderam a cobrança da taxa por seis meses para sacanear o então prefeito Alcides Bernal (PP).

Para evitar a punição, conforme decisão já tomada pelo prefeito Marquinhos Trad (PSD), a cidade precisa da versão 2017 de “Marquinhos Trad”, o combativo deputado contra as altas tarifas de energia cobrada pela Energisa.

O deputado ganhou fama ao ser o relator da CPI da Enersul em 2007, quando a conta de luz ficou 19% mais barata. Logo após essa vitória, ele bateu na tecla como defensor dos consumidores contra as altas contas de luz cobradas na época.

Agora, como prefeito, por ironia do destino, será o responsável pela cobrança em dobro da taxa de iluminação pública. A contribuição causa revolta porque muitos moradores vivem em ruas escuras e são obrigados a pagá-la em dia porque a cobrança é feita na conta de energia. Ou seja, se não quitá-la, fica sem luz dentro de casa também.

Nesta semana, o Midiamax revelou que um morador paga a taxa de iluminação apesar de não contar com a luz na rua há 13 anos. Além de absurda, a história é de um total desrespeito com o cidadão.

Marquinhqos não se preocupou em buscar alternativa à cobrança retroativa.Como a cobrança em dobro elevará o faturamento da prefeitura com a taxa de R$ 2,8 milhões para R$ 5,6 milhões, ele já até baixou um decreto para usar 30% do dinheiro livremente, ou seja – vai deixar de aplicá-lo na iluminação pública.

Em seis meses, o prefeito espera arrecadar R$ 14 milhões com a cobrança retroativa. Para o município, que tem orçamento superior a R$ 3,5 bilhões neste ano, será uma mixaria, mas para o cidadão que ganha um salário mínimo ou está desempregado, a cobrança pesará no orçamento e, com certeza, poderá até custar algum produto na mesa.

No entanto, não há nenhum deputado ou vereador que incorpore o espírito do Marquinhos de 2007, que “se virava nos 30” para defender o consumidor.

Agora, se não houver nenhuma ação na Justiça para nos salvar da exploração e da obstinação do prefeito em arrecadar, a população vai ser penalizada com a cobrança em dobro da Cosip.

E Marquinhos repete outros políticos, que defendem o povo no parlamento e arrocham ao assumir o comando do Executivo.