Temer foi o principal cabo eleitoral de Resende na disputa para a prefeitura de Dourados no ano passado (Foto: Arquivo)

Além do incansável e fanático defensor Carlos Marun (PMDB), o presidente da República, Michel Temer (PMDB), vai precisar do voto de sete deputados federais de Mato Grosso do Sul para arquivar a denúncia de corrupção passiva, obstrução da Justiça e organização criminosa. Ou seja, o gaúcho não deve ser o único a defender a “quadrilha” instalada no Palácio do Planalto.

O eleitor zeloso pela ética e aguerrido no combate à corrupção deverá ficar atento aos deputados Luiz Henrique Mandetta (DEM), Geraldo Resende e Elizeu Dionízio, do PSDB, Vander Loubet (PT), Zeca do PT, Dagoberto Nogueira Filho (PDT) e Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias (PSB).

Seis dos oito deputados aparecem na lista da JBS

Dos oito deputados, só três não possuem pendência por corrupção no STF: Dionízio, Tereza e Dagoberto (absolvido no ano passado).

A maior parte da bancada está enrolada em denúncias e até tem motivos para absolver Temer. Pela Constituição Federal, ele só será julgado pelo Supremo Tribunal Federal se o caso tiver autorização de 342 votos. Primeiro presidente na história a ser formalmente denunciado por corrupção, o peemedebista aposta em cargos e dinheiro para conseguir 172 votos e se safar da denúncia, num claro deboche da sociedade.

Os petistas devem votar contra Temer, mas estão engolfados pelo mesmo escândalo: a temível Operação Lava Jato. Loubet é réu pelo suposto recebimento de R$ 1,028 milhão em propina em esquema montado com o ex-presidente Fernando Collor (PTB) na BR Distribuidora. Ele é investigado em outro inquérito por receber R$ 50 mil da Odebrecht.

Tereza até traiu o partido e perdeu a direção regional para aprovar reforma de Temer (Foto: Arquivo)

Zeca é investigado por cobrar R$ 400 mil da empreiteira para a campanha do ex-amigo Delcídio do Amara em 2006. Ele ainda é citado na delação da JBS por ter recebido R$ 3 milhões em 2010 e implantado o esquema de cobrança de propina em troca da concessão de benefícios fiscais.

Mandetta é investigado no Supremo pelo escândalo do Gisa, o milionário projeto para informatizar o atendimento nas unidades de saúde. Pelo mesmo problema, ocorrido quando foi secretário municipal de Saúde de Campo Grande, é alvo de duas ações de improbidade por superfaturamento e desvio de recursos, que totalizam R$ 16,3 milhões cada.

Geraldo Resende é investigado na Operação Urugano, quando o jornalista Eleandro Passaia gravou conversa em que seu assessor revela esquema de propina paga para obras executadas pelas emendas do parlamentar. O caso segue no STF e relator é o ministro Marco Aurélio Mello.

Marun não foi citado na Operação Lava Jato, onde estão seus principais amigos, mas é réu por suposto pagamento indevido de R$ 16,6 milhões à DigithoBrasil (atual Digix) quando era presidente da Agehab.

Amigo de Temer, André Puccinelli (PMDB) e do ex-deputado Eduardo Cunha, ele ainda é alvo de inquérito no Supremo por criar fakes, perfis falsos no Facebook, para destruir adversários em conjunto com o ex-senador Delcídio.

Dos oito deputados federais, a planilha da JBS cita doação para seis: Resende (R$ 450 mil), Dionízio (R$ 22.864), Marun(R$ 103 mil), Tereza Cristina (R$ 103 mil), Dagoberto (R$ 170 mil) e Mandetta (R$ 25.086).

Os defensores de Temer – que chegou a ser gravado aprovando a compra do silêncio de Eduardo Cunha e teve o homem de confiança, Rocha Loures (PMDB) preso e gravado com uma mala de R$ 500 mil em dinheiro vivo – devem seguir o discurso do senador Waldemir Moka (PMDB).

O peemedebista sul-mato-grossense não enxerga provas contra o presidente da República, apesar das evidências e provas contundentes da prática direta da corrupção. Marun não deve ser o único a votar pela permanência de Temer, apesar da repugnância que a sua permanência causa na sociedade e em parte dos governantes mundiais.