Marcos Alex, que ganhou fama de não se intimidar com as “autoridades”, vai apurar a mágica feita por secretário para estar em vários lugares ao mesmo tempo (Foto: O Estado MS)

A farra com o dinheiro público na saúde pública pode acabar em breve. O promotor Marcos Alex Vera, que ganhou fama como “xerife” do MPE (Ministério Público Estadual), está investigando o secretário municipal de Saúde, Marcelo Luiz Brandão Vilela, que acumula dois empregos e ainda foi recebeu R$ 22,6 mil por manter “cargo fantasma” no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul Rosa Pedrossian.

No início deste mês, O Jacaré publicou que Vilela recebeu R$ 51.400,77 em salários por acumular três empregos. Além do cargo de secretário de Saúde, que lhe exige dedicação integral e salário de R$ 24,4 mil em março deste ano, ele ainda recebe R$ 22,6 mil por emprego de 40 horas no HR.

Não bastassem os dois postos de trabalho, ele ainda recebe R$ 4,3 mil por jornada de 20 horas no Hospital Universitário, onde admitiu despachar duas vezes por semana.

Somente após a publicação da matéria, o Governo oficializou a cedência de Marcelo Vilela para trabalhar na prefeitura. O decreto do governador Reinaldo Azambuja (PSDB) foi publicado dia 3 de maio deste ano no Diário Oficial do Estado. O Governo pagou R$ 90,5 mil em salários para o médico sem trabalhar.

Para evitar desgaste, o HR divulgou nota em que destaca que não houve prejuízo para os cofres estaduais. O prefeito Marquinhos Trad (PSD), que nega reajuste de salário aos médicos e não resolve o problema da falta de vagas nos hospitais, usou o dinheiro do ICMS para ressarcir o Estado pelos salários pagos ao secretário.

Ou seja, o médico recebeu R$ 90,5 mil sem trabalhar, mas quem pagou foi o povo de Campo Grande, porque o dinheiro foi retirado da prefeitura.

Na quarta-feira, Marcos Alex oficializou a abertura de inquérito para investigar o acúmulo de cargo por Marcelo Vilela. Ele já pediu explicações ao município e convocou o médico para prestar depoimento sobre a denúncia.

O promotor ficou “famoso” ao assumir a investigação contra a corrupção em Campo Grande e levar à prisão do então prefeito, Gilmar Antunes Olarte. Ele também foi o autor da Coffee Break, que desvendou os supostos esquemas montados para comprar vereadores e cassar o mandato de Alcides Bernal (PP) em março de 2014.

Como não teve medo de denunciar políticos poderosos, como o ex-governador André Puccinelli (PMDB) e o ex-prefeito Nelsinho Trad, irmão do atual prefeito, Marquinhos Trad, Alex se tornou a esperança da sociedade campo-grandense, cansada de ver os desmandos e nunca ver ninguém punido.

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