Investigado pela Polícia Federal por criar perfis falsos na rede social para atacar adversários, o deputado federal Carlos Marun (PMDB) lançou, na semana passada, campanha contra a propagação de mentiras pela internet. É surreal, mas isso vem ocorrendo em Mato Grosso do Sul.

Presidente da Comissão Especial da Reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, Marun vem sendo alvo de ataques porque é favorável à mudança na legislação. Ele é defensor ardoroso da mudança na idade mínima para a concessão da aposentadoria de 55 anos para as mulheres e 60 para os homens para 65 anos para ambos os sexos. Também não aceita discutir a contribuição de 49 anos para ter direito a 100% do benefício.

Ele também é alvo constante de ataque porque defende o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), preso em Curitiba há seis meses. O sul-mato-grossense acredita que o ex-deputado é alvo de vingança e não roubou a  Petrobras para bancar os luxos da mulher, a jornalista Cláudia Cruz.

Marun é alvo de campanhas por defender a reforma de Michel Temer

Indignado com os ataques, o peemedebista lançou a campanha: “Vá mentir em outro lugar – Chega de Mentira da internet”. A intenção, principalmente, considerando-se que a política brasileira vem se construindo sobre calúnias, mentiras e infâmias de toda a espécie.

No entanto, Marun é investigado pela Polícia Federal por criar fakes para atacar o atual governador, Reinaldo Azambuja (PSDB), nas eleições de 2014. O curioso é que ele era alvo no mesmo inquérito que o ex-senador Delcídio do Amaral, que era do PT, partido abominado pelo peemedebista.

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a investigação em julho do ano passado. Conforme o magistrado, dois assessores do deputado, Juliano Salles Marzola e Carlos Domingos Santana de Moraes, criaram os perfis falsos para atacar o tucano.

O detalhe é que o endereço usado para contratar o plano de internet, feito por Carlos, era o mesmo da residência de Marun. E os fakes foram acessados no escritório do deputado federal.

A investigação é lenta. Só para se ter ideia, Toffoli autorizou a complementação da investigação em julho do ano passado para ouvir Carlos Moraes e Marun. No mês passado, o delegado Guilherme Guimarães Santana, pediu mais 90 dias de prazo para continuar a investigação. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, não se opôs e o ministro do STF autorizou a postergação do prazo por mais 90 dias.

A investigação contra Delcídio voltou para a primeira instância e o julgamento será feita pela 36ª Zona Eleitoral de Campo Grande. Ele também contava com dois assessores para atacar Reinaldo por meio de perfis falsos no Facebook.

Enquanto é investigado, Marun assume ares de moralista e propaga a campanha contra a utilização de mentiras no facebook, whatsapp, twitter e instagram.

Espera-se que o deputado, com a Polícia Federal no rastro, comece dando exemplo sobre só falar a verdade nas redes sociais e aplicativos.