O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) reinventará o seu Governo com a reforma administrativa, apresentada na manhã desta segunda-feira. Dois pontos fundamentais a serem observados: ele não desmentiu a existência de vídeo bomba envolvendo o poderoso secretário Sérgio de Paula, chefe da Casa Civil, e vai paralisar a administração para reiniciar no novo modelo.

Reinaldo: Navio sem rumo?

Em entrevista divulgada pelo Top Mídia News, o governador limitou-se a dizer que respeita o boato envolvendo de Paula. Ele não negou a existência da denúncia de suposta cobrança de propina envolvendo um dos principais nomes do seu Governo. Além de perder o cargo para a reestruturação administrativa, Sérgio de Paula não compareceu à coletiva.

Há dois anos, Azambuja iniciou o mandato de quatro anos com a reforma administrativa, que reduziu o número de secretarias de 15 para 13. Para reduzir o déficit nas contas, elevou tributos, como o IPVA (que ficou 40% mais caro), ITCD e ICMS.

As medidas amargas não foram suficientes e a administração segue pífia, sem medidas de impacto, sem obras relevantes. E pior, alguns casos, a situação até se agrava, como é o caso do Aquário do Pantanal, que se deteriora com o tempo após consumir mais de R$ 200 milhões e cuja conclusão vai ficando, a cada dia de obra parada, mais cara para o poder público.

O governador não extinguiu só três pastas: Habitação foi para Infraestrutura, Casa Civil funde-se com a de Governo (ampliando os poderes de Eduardo Riedel) e Produção passa para a de Meio Ambiente. Ele mudou a estrutura do Estado ao remanejar pastas, como Mulheres, Igualdade Racial e LGBT para a Secretaria de Cultura. Outra mudança foi repassar Turismo para a nova pasta do Desenvolvimento.

Ao redesenhar o Governo, o tucano paralisa a administração estadual. Entre outros fatores, dois acabam atrasando uma administração. O primeiro é a mudança de titular da pasta, um erro cometido por Zeca do PT, que teve vários secretários de Obras (Pedro Teruel, Vander Loubet, Delcídio do Amaral, Paulo Duarte, Maurício Arruda), de Educação, de Saúde, de Educação, da Casa Civil e até de Fazenda.

O segundo é mudar a estrutura, porque envolve remanejamento de funcionário, mudança de nome da pasta, adaptação ao novo período e o reinício. Em plena crise econômica, onde o gestor público precisa de competência, continuidade e rumo, Azambuja se perde nos dois últimos, com certeza. A competência vou deixar para o eleitor julgá-lo em 2018.

A falta de rumo é outro problema. Wilson Barbosa Martins (PMDB) renegociou a dívida e dedicou-se a destruir a imagem de bom gestor do antecessor e inimigo notório, Pedro Pedrossian.

Zeca do PT assumiu a missão de concluir as obras iniciadas na gestão de Pedrossian. André Puccinelli (PMDB) teve a missão de dotar Mato Grosso do Sul de infraestrutura, como as obras de pavimentação, embora o asfalto tenha ruído ou virado pó, mas foram executadas.

Azambuja não apresentou a linha mestra e falha no que falou até o momento: equilibrar as finanças estaduais. O déficit assombra a administração.

Os projetos de reforma administrativa e de congelamento dos gastos por 10 anos não devem sofrer alteração na Assembleia, que não tem autoridade nem para investigar os seus integrantes por suposta fraude no ponto.

Para quem deseja conferir na íntegra a matéria do Governo sobre a reforma, clique aqui.