Tiago Botelho surge como representante da Grande Dourados na disputa do Senado (Foto: Divulgação)

O PT de Dourados planeja emplacar o advogado e professor da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), Tiago Botelho, 38 anos, como pré-candidato a senador para defender o legado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Agora, a sigla passa a contar com dois nomes para enfrentar o favoritismo da ministra da Agricultura e Pecuária, Tereza Cristina Corrêa, que deve trocar o União Brasil pelo Partido Progressistas.

Antes sem nenhum cotado para disputar o Senado, a esquerda passou a contar com dois nomes em Mato Grosso do Sul. As mulheres do PT lançaram a pré-candidatura da advogada Giselle Marques, uma das fundadoras do Juristas pela Democracia no Estado. Agora, Giselle e Botelho passam a disputar o título de “candidato do Lula” para enfrentar a “candidata de Bolsonaro” na disputa do Senado.

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As articulações ainda vão depender da federação partidária, que inclui a aliança com o PV e PCdoB, e da manutenção da candidatura a governador de Zeca do PT. O ex-governador teve um desempenho pífio na disputa do Senado em 2018 e está disposto a retornar para dar palanque a Lula no Estado.

“Sou um fruto do interior, nasci em Ivinhema, cresci em Naviraí e me formei em Dourados”, gaba-se Botelho, que surge como opção para ser o nome da região sul no Senado. Atualmente, os três representantes são Nelsinho Trad (PSD) e Soraya Thronicke (União Brasil), de Campo Grande, e Simone Tebet (MDB), de Três Lagoas.

Formado em Direito pela UEMS e História pela UFGD, doutor em Direito Socioambiental pela PUC do Paraná e mestre em Direito Agroambiental pela UFMT, o pré-candidato é professor e coordenador do curso de Direito da UFGD.

“Não há nenhum racha no PT. Diferente de muitos partidos, aqui não há autoritarismo e imposição de nomes. Todas e todos possuem direito de apresentar seus projetos políticos e o partido, por meio de muito diálogo e maturação, escolherá aquele ou aquela que tiver maior densidade política e viabilidade eleitoral”, pontua o advogado, sobre surgir na disputa ao mesmo tempo que Giselle, também professora universitária e doutora na área de meio ambiente.

“Giselle é um importante quadro do PT e muito capacitada. É minha amiga e sua pré-candidatura é legítima. Em momento oportuno nos sentaremos para conversar. Nosso projeto parte da necessidade de elegermos o Lula presidente. Não temos projetos individuais, representamos projetos coletivos que se complementam”, explica Tiago Botelho.

No ano passado, o advogado ganhou notoriedade ao se juntar ao economista Eduardo Moreira para arrecadar alimentos para doar aos índios de Dourados. Houve uma polêmica após afirmar que os índios douradenses passavam fome e moravam em áreas precárias. Enquanto os políticos se sentiam ofendidos pelas declarações, Botelho e o economista realizaram uma vaquinha para arrecadar alimentos e doar aos indígenas.

O favoritismo de Tereza Cristina é o principal alvo de Botelho, que vê a ministra como representante de parte dos atuais problemas da população brasileira. “Contrapor à pré-candidatura de Tereza Cristina é muito simples. O projeto que ela representa é um fracasso. Por onde andamos escutamos as pessoas reclamando da fome, do desemprego, do preço do gás e da gasolina, da carne e do arroz. Ela é responsável por tudo isso”, acusou.

“A ministra teve a capacidade de falar que ‘brasileiro não passa fome porque têm mangas na cidade’”, relembrou. Tiago fez menção à declaração de Tereza Cristina de que os campo-grandenses não passavam fome porque havia muita manga na Capital. “Quero perguntar em debate, caso ela participe, se o almoço e janta da família dela é manga”, provoca.

“As pessoas querem comer bem como comiam no governo de Lula e Dilma. É esse projeto que eu represento. Falaremos de comida na mesa sem veneno, de paz e amor. Ninguém aguenta mais esse extremismo imposto pelo projeto que ela representa. O Mato Grosso Sul precisa de um senador que não defenda apenas um setor de sua sociedade. O agronegócio é um importante setor da economia estadual, mas não é o único. Seremos o contraponto a esse modelo da velha política que cada eleição apenas muda de cargo, mas quando chega lá não tem projeto para o povo de Mato Grosso do Sul”, pontua.

Tiago Botelho quer, como Giselle, ser o candidato a senador do Lula, assim como Soraya acabou eleita em 2018 ao ser a “senadora do Bolsonaro”. “Ser pré-candidato do Lula no Mato Grosso do Sul é levar esperança real para as pessoas. A vida no interior e na capital está muito difícil. Você entra no mercado e as pessoas estão comprando ossos e resto de carne. O preço da cesta básica nunca esteve tão caro. O desemprego é assustador. Pessoas pedindo nas ruas e semáforos”, propõe.

“Enquanto isso, o presidente do Brasil e seus ministros, ficam brigando em redes sociais. Nossa pré-candidatura defenderá um projeto de país e de estado que foi bem-sucedido e as pessoas sabem. Por onde ando no Mato Grosso do Sul tenho como exemplificar o projeto que defendo e represento, pois quando chego em Naviraí falo que o campus da UFMS foi construído nos governos petistas, em Caarapó tem o Minha Casa Minha Vida, em Nova Alvorada do Sul tem o Luz para Todos, em Campo Grande a Casa da Mulher Brasileira, em Corumbá o IFMS, em Três Lagoas o Bolsa Família e tantos outros”, prega, já treinando para a campanha eleitoral.

“Algumas pessoas podem não gostar do PT, mas o PT gosta das pessoas. Lula não cresce nas pesquisas por ficar compartilhando fakenews. Ele cresce porque o povo Brasileiro sabe como a vida era melhor no MS e no Brasil e tudo piorou no governo em que a Tereza Cristina é ministra”, afirma

Botelho e Giselle começaram a buscar apoios para se viabilizar dentro do PT. Enquanto o partido inicia um debate, outros partidos já contam com nomes definidos, como o juiz federal aposentado Odilon de Oliveira (PSD), o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (União Brasil) e Tereza Cristina.

Ainda podem surgir outros nomes, como o do procurador de Justiça Sérgio Harfouche, que deve voltar pelo Avante e ser candidato a senador na chapa da deputada federal Rose Modesto (União Brasil). Simone pode voltar a disputar a reeleição caso não decole nas pesquisas, já que caciques do MDB não cogitam embarcar em uma candidatura que não passa de 2% nas pesquisas.

Tereza caminha para repetir o favoritismo verificado em outras eleições, como de Juvêncio César da Fonseca (MDB) em 1998, de Marisa Serrano (PSDB) em 2006, e de Simone Tebet em 2014.

Giselle e Botelho apostam na força de Lula para surpreender e não ficar apenas no susto, como ocorreu com Carmelino Rezende, que surpreendeu na reta final, mas perdeu para Juvêncio, ou de Egon Krakhecke (PT), contra Marisa em 2006. Apenas Simone teve um passeio, mas o desconhecido Ricardo Ayache, na ocasião no PT, ficou em segundo.

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