Prefeito diz que está disposto a enfrentar a “velha política” em 2022 (Foto: Arquivo/Bruno Henrique/Correio do Estado)

O prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad (PSD), mantém a disposição de disputar o Governo do Estado em 2022 e não teme a mega aliança e estrutura montada pelo PSDB para emplacar o secretário estadual de Infraestrutura, Eduardo Riedel. Apesar de ainda não admitir oficialmente a candidatura, ele lembrou de derrotas de outros candidatos, como a de Delcídio do Amaral (PTB) para Reinaldo Azambuja (PSDB) em 2014.

“Estou vendo muitas movimentações, tira deputado, coloca suplente, ganha Corumbá, faz Três Lagoas”, afirmou Marquinhos, sobre as manobras feitas por Reinaldo para desidratar a candidatura do ex-governador André Puccinelli (MDB). Reinaldo vai nomear o deputado Eduardo Rocha (MDB), marido da senadora Simone Tebet, na Secretaria Estadual de Governo para abrir vaga na Assembleia Legislativa para Paulo Duarte (MDB).

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Com a estratégia, comandada pelo chefe da Casa Civil e presidente regional do PSDB, Sérgio de Paula, o governador garante o apoio de dois caciques do MDB ao projeto do partido em 2022. De acordo com o Campo Grande News, outros caciques devem abandonar Puccinelli nos próximos dias.

Denunciado por corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro no Superior Tribunal de Justiça, Reinaldo aposta que não deverá ser julgado até as eleições de 2022. Assim como se reelegeu em 2018 apesar da Operação Vostok da Polícia Federal, o tucano aposta tem cacife para ser o mais votado para a Câmara dos Deputados ou até se eleger senador no próximo ano. A corrupção não tem sido um fator muito considerado pelo sul-mato-grossense.

“Enquanto eles lotam o ônibus deles com a velha política, o povo está junto comigo e Deus está me abençoando”, afirmou Marquinhos. O ônibus foi o caso citado por Delcídio em 2014, que conseguiu um grande arco de alianças. No entanto, o então petista perdeu no segundo turno, mesmo liderando todas as pesquisas e sendo considerado favorito.

Marquinhos não citou, mas poderia relembrar a vitória de Alcides Bernal (PP) em 2012. Na ocasião, o progressista enfrentou Edson Giroto, então no MDB, que tinha o apoio do prefeito da Capital, Nelsinho Trad, e do governador do Estado e uma aliança de 17 partidos, que ia da direita até a esquerda, incluindo o PCdoB. Sozinho, sem estrutura e em chapa pura, Bernal se tornou prefeito na ocasião.

O prefeito não tem denúncias de corrupção, como Puccinelli, condenado por improbidade administrativa por coagir eleitores em 2012 e réu em ações penais e por improbidade na Operação Lama Asfáltica. Riedel não tem só a falta de carisma, mas também vai defender o legado do PSDB, marcado pelo aumento de impostos e penúria com o funcionalismo público estadual.

O principal desafio de Marquinhos será conquistar o interior do Estado, onde os adversários possuem maior densidade eleitoral. Para este quesito, ele aposta na visibilidade da administração da Capital, que teve o recapeamento de vias, o Reviva Centro e as ações de combate à pandemia, como impedir o fechamento do comércio e a vacinação da população.

O prefeito foi lançado como candidato a governador pelo presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. Ele tem até o final de março para decidir se abre mão de dois anos e meio como prefeito para disputar o Governo.

Além de Marquinhos, Riedel e André, os nomes cogitados para disputar a sucessão de Reinaldo incluem a deputada federal Rose Modesto, que deve trocar o PSDB pelo Podemos ou União Brasil, o ex-governador Zeca do PT, o ex-vereador Vinicius Siqueira (PROS), o ex-vereador Marcelo Bluma (PV) e o deputado estadual João Henrique Catan (PL)