Gasto milionário com hospital de campanha que não atendeu doentes com covid-19 é alvo de inquérito aberto pela procuradoria (Foto: Arquivo)

O Ministério Público Federal instaurou inquérito civil para apurar eventuais irregularidades nos gastos do governador Reinaldo Azambuja (PSDB) com a implantação e desativação do hospital de campanha em Campo Grande. A unidade custou R$ 15,2 milhões, mas atendeu apenas 68 pacientes que não estavam com covid-19, conforme relatório do Governo do Estado.

Conforme despacho do procurador da República, Pedro Gabriel Siqueira Gonçalves, publicado nesta quarta-feira (30) no Diário Oficial, as explicações do governador não convenceram de que não houve irregularidades na utilização dos recursos federais destinados ao combate à pandemia.

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As explicações foram solicitadas pela subprocuradora-geral da República, Lindora Araújo, que cobrou informações assinadas pelos governadores de todo o País. O tucano enviou dois ofícios, de números 92 e 129, para detalhar a utilização dos recursos federais para combater o coronavírus no Estado.

“CONSIDERANDO os esclarecimentos prestados pelo Estado de Mato Grosso do Sul por meio do Ofício OF/GABGOV/MS/n.92/2021 (PGR-00096169/2021) e do Ofício OF/GABGOV/MS/n.129/2021 (PGR-00138657/2021)”, pontua o procurador, para justificar a transformação do procedimento administrativo em inquérito civil. Ele também solicitou informações ao Tribunal de Contas da União.

A abertura de inquérito pelo Ministério Público Federal ocorre quase um ano após a desativação do hospital de campanha construído no pátio do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul Rosa Pedrossian. A mega estrutura custou R$ 15,2 milhões aos cofres públicos, conforme informações repassadas pelo Secretaria Estadual de Saúde ao jornal Midiamax.

O hospital tinha 140 leitos para atender os pacientes com covid-19, conforme a propaganda feita na época pelo governador e pelo secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende. Apesar do investimento milionário na estrutura, o governador desativou a unidade em setembro do ano passado, quando havia superlotação de leitos de UTI e a Defensoria Pública foi à Justiça para decretar lockdown para controlar a pandemia na Capital.

De acordo com o Midiamax, o hospital de campanha atendeu apenas 68 doentes e nenhum tinha sido contaminado pela covid-19. Outros R$ 8 milhões foram aplicados na ativação do hospital de campanha em Ponta Porã. Com 40 leitos, a unidade atendeu apenas 185 pessoas e também foi desativada, apesar da pandemia não ter acabado. A situação continua tão grave que o governador Reinaldo Azambuja determinou a adoção de medidas restritivas em 43 municípios, com o fechamento do comércio, de bares e restaurantes de 11 a 24 de junho deste ano para reduzir a ocupação de leitos de UTI no Estado.