Ex-ministro da Saúde: de aliado de primeira hora a adversário feroz de Bolsonaro (Foto: Arquivo)

O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, será um dos primeiros a depor na CPI da Covid do Senado. Crítico da atual política de combate à pandemia e pré-candidato a presidente da República em 2020, ele deverá dar munição à oposição contra Jair Bolsonaro (sem partido), um dos alvos da comissão criada para apurar as falhas do Governo federal no combate à doença, que já causou quase 400 mil mortes no Brasil.

Em reunião marcada por bate-boca na manhã desta quinta-feira (28), a CPI aprovou a convocação de Mandetta e do seu sucessor no Ministério da Saúde, Nelson Teich. O atual ministro, Marcelo Queiroga, também foi convocado para prestar depoimento.

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Aliado de Bolsonaro desde a campanha eleitoral de 2018, Mandetta acabou se desentendendo com o presidente no ano passado na forma de combater à pandemia. O médico campo-grandense passou a defender as medidas recomendadas pela Organização Mundial de Saúde, como distanciamento social, fique em casa e uso de máscaras.

Além de questionar o então ministro da Saúde em entrevistas e pronunciamentos, Bolsonaro passou a participar de aglomerações e não usar máscara. Mesmo com a aprovação de 76% da população, o presidente acabou demitindo o ministro da Saúde em abril do ano passado.

Sem cargos no Governo federal, Mandetta passou a fazer duras críticas a Bolsonaro e manteve as previsões de que sem medidas efetivas de combate, a pandemia causaria milhares de mortes no País. Infelizmente, a realidade acabou superando as expectativas pessimistas do ex-ministro, que chegou a falar em 150 mil mortes causadas pela covid-19 no País. Até ontem, a doença já matou mais de 398 mil brasileiros.

O depoimento de Mandetta deverá reforçar as denúncias contra Bolsonaro, de que não adotou as medidas necessárias para combater a doença. Ele foi convocado para prestar depoimento na próxima terça-feira (4). No mesmo dia, Teich, que ficou no ministério por menos de um mês, também vai prestar depoimento.

A CPI da Covid conta com sete integrantes de oposição ou independentes. Apenas quatro senadores são aliados do presidente da República. O relator é o senador Renan Calheiros (MDB), de Alagoas, que já fez duras críticas à condução de Bolsonaro no combate à pandemia.