Jamilson Name virou réu junto com o pai e o irmão por exploração do jogo do bicho na Capital (Foto: Arquivo)

O deputado estadual Jamilson Lopes Name (sem partido) e mais 12 pessoas viraram réus por organização criminosa armada, lavagem de capitais e exploração do jogo do bicho. A denúncia do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) foi recebida na sexta-feira (15) pelo juiz Roberto Ferreira Filho, da 1ª Vara Criminal de Campo Grande.

Presos desde 27 de setembro do ano passado, os empresários Jamil Name, 81 anos, e Jamil Name Filho, 43, também vão responder a mais uma ação, por lavagem de dinheiro e exploração do jogo do bicho. Esta investigação é resultado da Operação Arca de Noé, denominação da 6ª fase da Omertà, deflagrada no dia 2 do mês passado.

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Esta é a primeira denúncia na Omertà contra o deputado, filho de Jamil Name e dono da Fena Assessoria e Consultoria Empresarial, responsável pela venda dos títulos de capitalização. O Ministério Público Estadual conseguiu interditar a empresa e suspender a venda do Pantanal Cap ao acusar a empresa de lavar dinheiro do jogo do bicho.

“O Ministério Público aduz que o núcleo da organização criminosa responsável pela exploração do ‘jogo do bicho’ e da lavagem de capitais possui três níveis de hierarquia: os bicheiros/anotadores; os gerentes e os banqueiros/líderes (Jamil Name, Jamil Name Filho e Jamilson Lopes Name)”, pontuou o magistrado, no despacho de sexta-feira. O Jacaré teve acesso a parte do processo, que ainda tramita em sigilo.

“Os bicheiros/anotadores seriam os responsáveis por fazer a venda direta das apostas, permanecendo nos postos com as cartelas, blocos, tablets. Nenhum deles foi denunciado nestes autos”, ressaltou o juiz. “Segundo o Parquet, ‘os gerentes são contadores que cuidam dos bicheiros de determinada área, intermediando o contato e o fluxo de dinheiro aos chefes/líderes”, explicou.

Com a denúncia, aceita pela Justiça, Jamilson passou a ser acusado de ser um dos chefes da suposta organização criminosa ao lado do pai e do irmão. Para o Gaeco, o parlamentar teria sido o idealizado da venda do título de capitalização, que ocorre com o aval da Aplub Capitalização, de Porto Alegre.

Os promotores convenceram o juiz Roberto Ferreira Filho de que o jogo do bicho é a principal atividade financeira da organização criminosa, que seria responsável pelo arsenal de guerra apreendido em maio de 2019 e por várias execuções ocorridas na Capital.

Além de Jamilson, o juiz aceitou a denúncia por organização criminosa armada, lavagem de capitais e exploração do jogo do bicho contra os 12 gerentes da contravenção: Darlene Luiza Borges, Cicero Balbino, Agustinho Barbosa Gomes, José Ney Martins, Leonir Pereira de Souza, Marcilene Ferreira, Raimundo Nery de Oliveira, Paulo Sérgio Pais de Lira, Patrícia Pereira Lira, Ricardo Alexandre Cáceres Gonçalves, Renato de Lima Fontalva e Tatiana Freitas.

Darlene ainda vai responder por supostamente usar a loja na Rua Euclides da Cunha para lavar dinheiro do jogo do bicho. Conforme a denúncia, ele inflava as vendas do estabelecimento com o dinheiro proveniente da contravenção.

A denúncia vem somar à decisão da juíza Eucelia Moreira Cassal, da 3ª Vara Criminal, que determinou a interdição do prédio e a suspensão das atividades da Pantanal Cap. O pedido para suspender o bloqueio está sendo analisado pela desembargadora Elizabete Anache, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.

Após a Operação Arca de Noé, em dezembro, Jamilson negou usar a Pantanal Cap para lavar dinheiro do jogo do bicho. Na ocasião, ele ressaltou que a venda do título de capitalização tinha aval do Governo federal e o recolhimento dos tributos era feito pela Aplub.

No sábado, ao Campo Grande News, o advogado Gustavo Passarelli, afirmou que não há fundamento nas alegações e acusações realizadas pelo MPE. Ele disse que ainda não tinha conhecimento da denúncia.

Ontem, o Campo Grande News informou que o juiz determinou o monitoramento eletrônico do deputado. No entanto, a utilização de tornozeleira eletrônica vai depender da Assembleia Legislativa.

Darlene, a patroa, também virou réu por usar loja para lavar dinheiro do jogo do bicho (Foto: Arquivo)